A Nova Velha Medicina

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Há algumas semanas atrás, recebi na minha página do facebook uma solicitação de atualização das minhas informações onde alguém me sugeria mudar minha classificação de “Medicina” para “Medicina Holística”. Na hora que vi, confesso que fiquei um pouco chocada – afinal, sou alguém que fez carreira no mundo da pesquisa e da ciência! Mas por outro lado, eu, “Juliana pessoa” (e não “Juliana Doutora”), sempre tive a necessidade de ter uma visão global do ser humano e inclusive por isso mesmo decidi abraçar a carreira do coaching para juntar essa visão individualizada da pessoa com a medicina. E a palavra Holística significa isso: global. Integral.

 

E então pensei: por que não? Por que não aceitar a classificação de “Médica Holística”? No que isso implicaria?

 

Para ser 100% sincera e honesta com vocês, essa reflexão vem povoando minha mente há tempos.
Há tempos tenho pensado em escrever um texto (ou mesmo um livro) sobre isso.
Sobre como a Medicina evoluiu e vem evoluindo tecnologicamente a ponto de estarmos perdendo nossa essência.
E, como nos velhos filmes de Hollywood, estamos tendo que “voltar pra casa” para novamente descobrir quem somos.

 

Sim, a tecnologia vem avançando a passos largos, numa progressão geométrica onde num futuro não muito distante iremos pingar uma gota do nosso sangue numa placa, assim que nascermos, e teremos informações de que doenças poderemos desenvolver, que tipos de medicamentos serão efetivos pra nós e até mesmo com quem poderemos e não poderemos procriar (!)…
E a cada dia mais a tecnologia vem se tornando parte indispensável de uma boa prática Médica.
E isso é realmente incrível, desde que a tecnologia venha para ajudar a aprimorar diagnósticos, para facilitar a vida dos pacientes, para reduzir o esforço necessário para uma saúde plena.

 

Porém, tanta “tecnologização” e “procedimentalização” (se é que essas palavras existem) trazem dentro de si um risco que, em se tratando de saúde, é particularmente perigoso: o risco da IMPESSOALIZAÇÃO.
E essa tendência da sociedade em estar cada vez mais veloz, produtiva, eficaz e precisa está levando ao perecimento do que temos de mais sagrado em sermos humanos: as relações interpessoais.
A Medicina está cada vez mais asséptica.
E isso vem causando um imenso distanciamento entre as pessoas envolvidas no processo.
Médicos, outros profisisonais da saúde e mesmo os próprios pacientes se falam cada vez menos.
E se entendem menos ainda.
Como se cada grupo estivesse em lados opostos de um “campo de batalha”.
Um paradoxo tão óbvio que passa desapercebido!
Pois, se formos analisar, todos os grupos tem um objetivo em comum: a melhoria da saúde dos indivíduos!

 

Felizmente, já existe um grande número de pessoas por aí que despertou para o caminho de volta.
As terapias alternativas vem crescendo (e sendo comprovadas cientificamente), até congresso de “Slow Medicine” (em tradução livre: “medicina sem pressa”) já tivemos no Brasil.
A “Medicina Baseada em Evidências” vem a crescendo de forma veloz, mas a “Medicina Baseada na Pessoa” vem atrás, num crescimento mais tranquilo e – acredito eu – bastante sólido.

 

Quando eu digo “caminho de volta”, digo pensando num livro que li quando ainda era acadêmica de Medicina, que me foi recomendado por um antigo e muito querido professor, chamado “O Físico” (de Noah Gordon).
Esse livro (que tem duas continuações: “Xamã” e “A escolha de Dra. Cole”) me marcou tão profundamente que até hoje indico a todos os meus alunos.
Ele conta a história de um homem da idade média que decidiu ser médico – e fala um pouco dos costumes da época e da forma como a Medicina era exercida: olho no olho, coração com coração.
Desde esse livro (quinto ano de medicina) eu entendi qual era a medicina que eu queria pra mim.
E precisei percorrer um longo caminho (assim como a Dra. Cole, do terceiro livro) para entender o caminho de volta – olho no olho, coração com coração.

 

Pra mim, a ferramenta do Coaching me ajudou a traçar esse caminho.
Para outros colegas, é a Medicina Tradicional Chinesa ou a Medicina Ayurvédica ou a Antroposófica ou a Integrativa.
Independente do caminho, fico extremamente feliz em saber que tem outros “loucos” como eu que estão buscando o caminho de volta pra casa.
O caminho da humanização.
Para que a gente possa então, ao saber quem somos e a que viemos, usar de forma inteligente os recursos tecnológicos que o mundo moderno nos traz.
Para construir uma Nova Velha Medicina.

Que assim seja!

Se isso é ser holístico, me declaro então, hoje: Juliana Gabriel, Médica Holística, muito prazer!.

5 Comentários

  1. Armando Ferreira disse:

    Saber e aprender com inteligência, é um dos melhores momentos da vida!!! Pbns.

  2. Armando Ferreira disse:

    Obrigado Dra. Estamos sempre aprendendo. Na vida sempre existirá pessoas que estão abandonadas a própria sorte e tbm existirá pessoas que estão sempre querendo ajudar, por isso eu amo viver. A vida não precisa ser longa, o mais importante é viver intensamente e feliz!!! Bjs

  3. Marilena disse:

    Eu quero ser tratada sempre com médicos da ” nova velha medicina”. Atenção e carinho tornaram- se coisa rara na área da saúde. Adorei o texto! Bjs M

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