BAIXA ESTATURA (Especial Dia das Crianças!)

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Essa é a semana do dia das crianças e o post de hoje é um especial em homenagem aos nossos pequenos!
A queixa de “baixa estatura” é uma das mais frequentes no dia-a-dia de um Endocrinologista ou Endocrino-Pediatra. Muitas mães e pais tem dúvidas se seu filho está crescendo corretamente e por isso elegi esse tema para o nosso especial!


O crescimento é a característica mais marcante desta fase da vida, a  infância e adolescência.  Diversas situações podem afetar o crescimento, tanto temporariamente como de forma mais impactante.  Por isso, é importantíssimo acompanhar de forma sistemática o crescimento e desenvolvimento de uma criança, com visitas regulares ao Pediatra.



Avaliando o crescimento

Para avaliação correta do crescimento, quatro fatores devem ser observados:

1) Medida correta do peso e altura


Pode parecer óbvio, mas uma técnica correta de medida da altura pode mudar completamente a avaliação do crescimento.



O ideal é que a criança seja medida sempre pelo mesmo observador, com a mesma “régua” (seja a régua da balança, seja o estadiômetro de parede) pois podem haver variações entre os aparelhos. Diferenças de 1-1,5cm podem não ser importantes para um adulto, mas no caso da criança, pode ser o que vai diferenciar um crescimento normal de um alterado!

Um outro detalhe importante é a colaboração da criança.  É muito comum nossos pequenos ficarem na ponta dos pés (ou mesmo dobrarem os joelhos) quando vamos medí-los. Essa pequena brincadeira pode afetar o nosso diagnóstico do crescimento e quando um pequeno não quer colaborar com a medida, às vezes é melhor esperar um pouco ou deixar para medir numa próxima consulta antes de fechar um diagnóstico.

2) Curva de crescimento


A curva de crescimento é o instrumento que usamos para comparar aquela criança com a média da população e também, para acompanhar o padrão de crescimento ao longo do tempo.


É como um “mapa” do crescimento onde esperamos que nosso pacientinho siga o seu caminho até o final do seu desenvolvimento.  Deve ser preenchida a cada consulta e é ideal que os pais tenham uma cópia dessa curva, para que o acompanhamento seja conjunto entre a família e o pediatra e também, caso seja necessário levar a criança a outros especialistas, os mesmos tenham acesso ao histórico de crescimento dela.

Resultado de imagem
Curva de crescimento (meninos)

Cada criança tem o seu “canal de crescimento”, que tem influência de vários fatores (principalmente genéticos) e deve seguir este canal por todo o período de seu crescimento.


3) Canal de crescimento (e “alvo genético”)


Para avaliar a chamada “altura alvo” ou “alvo familiar” e determinar o canal de crescimento daquela criança, devemos fazer um cálculo de acordo com a altura dos pais.

Existem algumas variações nas fórmulas, mas em geral adotamos a seguinte:

a) Para meninas: a altura alvo é a média das alturas do pai e da mãe em cm (soma das duas, dividido por dois), subtraído 6,5 cm.

b) Para meninos a altura alvo é a média das alturas do pai e da mãe em cm (soma das duas, dividido por dois), somando-se 6,5 cm. 

À partir dessa altura-alvo, estimamos que o canal de crescimento varie de 5 cm pra mais e pra menos.

Por exemplo: um menino cujo pai mede 1,80m (ou 180 cm) e a mãe 1,60m (ou 160cm).  A altura alvo é [(180+160)/2 = 170 + 6,5] = 176,5.
O Canal familiar, portanto, varia de 171,5 a 181,5 e estima-se que a altura final vai estar dentro desta “faixa”.


4) Velocidade de Crescimento


A velocidade de crescimento é o quanto a criança ganha em cm por ano.  Essa avaliação só é possível quando se faz um acompanhamento ao longo do tempo e quando as medidas de altura são confiáveis.

A velocidade de crescimento normal varia nas diferentes fases do crescimento, sendo muito alta nos dois primeiros anos de vida e na adolescência (onde temos o “estirão”) e menores na fase escolar.


Diagnóstico de Baixa Estatura ou de Distúrbios do Crescimento

Depois de avaliados todos estes fatores, deve nos chamar a atenção para uma avaliação mais profunda quando:

1) A criança está abaixo do canal familiar;

2) Se o canal familiar não é conhecido, a criança está abaixo da linha mínima na curva de crescimento;

3) A velocidade de crescimento está baixa (independente da altura atual).

Quando isso acontece, significa que temos um sinal de alerta.  E que a criança merece uma avaliação mais minuciosa.

O diagnóstico de Baixa Estatura deve ser feito pelo Pediatra ou pelo Endocrinologista/Endocrino-Pediatra após a avaliação de todos esses itens e de mais outros fatores que afetam o crescimento.

Fatores que podem afetar o crescimento

Existem vários fatores que podem atrapalhar o crescimento da criança, desde fatores simples até mais complexos. Por exemplo:
  1. Alimentação inadequada: o consumo inadequado de vitaminas, minerais, proteína, carboidratos (e todos os nutrientes essenciais para o crescimento) pode ser uma causa muito frequente de baixa estatura.
  2. Sono inadequado: alterações do sono afetam e muito o crescimento pois o Hormônio do Crescimento é produzido principalmente durante o sono! Portanto, proíba o uso de joguinhos, smartfones ou tablets e não os deixe próximos à cama.  Também avalie a respiração durante o sono (dificuldades de respirar podem atrapalhar muito o sono da criança!).
  3. Falta de atividade física (criança tem que brincar! Crianças sedentárias tem maior risco de apresentarem alterações do crescimento)
  4. Obesidade
  5. Doenças agudas: muitas vezes existe uma “parada” do crescimento durante doenças agudas graves, como pneumonia, cirurgias, etc.  Mas espera-se que, tratada a doença, o crescimento volte ao normal.
  6. Doenças crônicas: crianças com doenças crônicas (como doenças renais e hepáticas, anemia e neoplasias) além de doenças que tendem a agudizar (“atacar”) com frequência (como asma e bronquite, diabetes, hipo ou hipertireoidismo, etc), podem ter seu crescimento afetado por essas doenças.
  7. Fatores psicológicos: crianças que passam por situações estressantes ou tristes (como perdas, abandono, traumas emocionais e físicos) podem sim ter seu crescimento afetado. Isso já está mais do que comprovado! No entanto, devem-se excluir as causas físicas antes de ficar com esse diagnóstico.

Meu filho tem baixa estatura?

Muitas vezes vemos pais angustiados com o crescimento de seus filhos pois costuma-se comparar a criança com seus coleguinhas de escola, com os irmãos e primos.



Mas cada criança é única, cada um tem sua história, sua genética, suas preferências pessoais. Como vimos, existem muitos detalhes a serem levados em conta na avaliação do crescimento da criança.

Por isso, ter um Pediatra da sua confiança e um acompanhamento longitudinal (de longo prazo) do crescimento fazem toda a diferença para um diagnóstico e uma abordagem corretas.

Caso seja necessário, a avaliação do Endocrinologista ou Endocrino-Pediatra deve ser solicitada pelo Pediatra da criança.

Mas antes de qualquer coisa, devem ser garantidos todos os fatores para um crescimento saudável e adequado, não só como alimentação, atividade física, ou um sono adequado, mas principalmente amor e acolhimento.

Pois o melhor alimento do mundo tanto para crianças como adultos é o amor!

Espero que tenham gostado do post!

Um excelente dia das crianças para crianças pequenas e grandes!!!!
Forte abraço a todos!

2 Comentários

  1. Anônimo disse:

    Adorei o texto! Muito bom para esclarecer, tirar dúvidas e acabar com idéias até preconceituosas sobre baixa ou alta estatura. Bjs M

  2. […] Em primeiro lugar, o diagnóstico de Baixa Estatura deve ser feito de forma precisa (muitas vezes a família pode ter a “impressão” de que a criança é mais baixa pois acaba comparando com amiguinhos, priminhos, etc; mas nem sempre se trata de um diagnóstico verdadeiro de baixa estatura – fiz um post no blog ano passado que fala todos os detalhes deste diagnóstico – clique aqui); […]

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