[Considerações livres] Coaching e Medicina: Por que decidi trilhar este caminho?

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Quem me acompanha nas redes sociais deve ter visto que venho fazendo vários cursos e treinamentos da formação em Coaching e alguns amigos médicos vem me perguntando a respeito, pois o coaching e desenvolvimento pessoal não fazem parte da formação tradicional médica.
Pensei muito antes de escrever, mas acho que agora, tendo terminado minha formação em Coaching, é um bom momento para compartilhar essa minha trajetória e mudança na vida profissional, tanto para meus pacientes e seguidores quanto para meus colegas e alunos.

Porém, antes de começar a contar a minha história, quero deixar claro uma coisa muito importante: essa foi a MINHA forma de olhar o “mundo médico” e com toda certeza há de ter pessoas que tem uma opinião e vivência completamente diferentes da minha. Portanto, o texto a seguir traz muitas informações sobre coaching e medicina sim… mas sob o MEU ponto de vista. Não falo em nome de todos os médicos, não falo em nome de nenhuma instituição ou órgão de classe. Falo em meu nome e somente em meu nome. Se algum outro colega se identifica, seja bem vindo. Se discorda, seja bem vindo também! Adoro poder ver o mundo de uma outra janela que não a minha.

Então vamos em frente.

O caminho que minha trajetória profissional tomou e que me fez chegar até aqui…

Quando jovem, meu sonho era ser jornalista. Sempre gostei muito de ler e escrever e sempre tive uma curiosidade gigantesca pelas coisas do mundo – com o corpo humano incluído. Como meu pai é médico e foi professor de medicina, sempre perguntava pra ele mil coisas. Por conta disso, acabei acreditando que a medicina seria um bom caminho profissional e decidi prestar o vestibular e seguir por essa trilha.

 

No início do curso médico, no entanto, tive muitas dúvidas se este era realmente o caminho pra mim: apesar de amar aprender tudo aquilo sobre como o corpo funciona, meu olhar criativo e panorâmico me trouxe uma certa dificuldade em me adaptar a metodologia precisa e analítica do ensino médico. Deixei de ser a aluna nota 10 no colégio para ser a aluna 7 da faculdade. E aquilo era “a morte” pra mim… por isso, me esforcei enormemente para me adaptar àquele mundo tão complexo e ao mesmo tempo tão fascinante.

 

Com isso, meus primeiros anos de faculdade foram permeados por muitas dúvidas se aquele era mesmo o meu caminho… até que… Atendi meu primeiro paciente.

Ainda que como estagiária acadêmica, poder conversar, conhecer a história de vida, integrar todos aqueles “chips” de conhecimento dentro do contexto de um SER HUMANO inteiro, com todas as suas singularidades foi lindo! A Medicina então ganhou o meu coração. A partir daí, estudar as minúcias, “decorar” os medicamentos, aprofundar os detalhes passou a ser tolerável (ainda que eu sempre na vida tivesse detestado essas palavras: minucias, detalhes, decorar…).

Agora tudo tinha um sentido e um propósito.

 

Durante a formação médica (graduação e residência), tudo é muito lindo e perfeito: não existe uma obrigação de “produtividade” e eu podia mergulhar na complexidade de um “caso” sem me preocupar tanto com velocidade ou lucro.

Porém, ao ir para o mercado de trabalho, um banho de água fria: não mais poder avaliar a doença no contexto do indivíduo, uma vez que me exigiam uma prática rápida, precisa, eficiente e lucrativa. Quanto mais rápido eu tinha que atender um paciente, mais me sentia insatisfeta “com a medicina“. Cheguei a pensar em desistir de ser médica, uma vez que não conseguia me encaixar naquele ritmo “produção industrial” e por conta disso, muitas vezes, abria mão de atender quantidade para ter qualidade e com isso, meu salário era sempre menor do que o dos colegas.

 

Neste ponto do texto, me sinto na obrigação de fazer uma observação importante: quando digo abrir mão da qualidade, quero deixar claro que NO MEU CASO, para ter qualidade eu precisava ter TEMPO. Porém, conheço muitos colegas que são EXCELENTES e extremamente rápidos e precisos. E foi com eles que eu me comparei durante toda a minha vida, pois eles eram o meu “padrão de qualidade”.

 

Sendo assim, seguir a carreira acadêmica, ser professora e poder voltar para aquele mundo perfeito onde o fator tempo não era tão importante foi a saída que eu encontrei. Ainda que eu tivesse que pagar o preço de “minucias, detalhes e decorar”, eu sempre acreditei que ao terminar meu mestrado e doutorado, voltaria para os anos dourados da graduação e poderia cuidar dos meus pacientes com calma e de forma integral. Pois durante todos esses anos de formada em que eu tive que trabalhar em diversos tipos de assistência, eu sempre soube com toda a certeza do meu coração que o adoecer é apenas a ponta do iceberg e numa consulta de 15 minutos eu não conseguia acessar todas as variáveis que poderiam estar fazendo o meu paciente adoecer.

 

E é nesse momento, em 2015, quando terminei minha formação acadêmica (doutorado) e comecei a trabalhar também como professora universitária, que eu percebi que aquilo que eu queria não ia acontecer. O mundo está cada vez mais rápido, a quantidade de informações precisas está cada vez maior. E, mesmo no meio acadêmico, eu como professora precisava de velocidade. E veio uma enorme frustração. Mais uma vez, cheguei a pensar que ser médica não era pra mim. Foi quando, conversando com uma pessoa muito especial, que eu conheci o Coaching.

Por que Coaching?

Quando conheci a minha Coach, eu estava vivendo um momento de enorme frustração profissional. Decidimos começar um processo de coaching para que eu encontrasse a resposta da pergunta: “será que eu nasci mesmo para ser médica?”. E foi aí que a transformação aconteceu.

Durante o processo de coaching, eu pude acessar emoções, sentimentos e crenças que me faziam achar que eu não me encaixava no “sistema”.

Aprendi que existem diversos perfis de personalidade e que esses são complementares. Que o fato de eu não ser analítica e precisa não significava que eu era uma má profissional. E que não adiantava eu me comparar com esses colegas analíticos e precisos pois cada um vê o mundo da sua própria janela, ainda que a paisagem seja a mesma, sempre existirão diferenças nos pontos de vista. E com isso, descobri que era justamente na minha humanidade, naquilo que eu sempre achei que estava o meu ponto fraco, que estava o meu diferencial.

E pude ser muito grata por isso… Pois graças a Deus existem os meus amigos médicos que são brilhantes, analíticos e precisos, pois sem eles, não haveria radiologia, cirurgia, genética… E que ainda assim, essas ciências exatas não excluem por completo os “criativos e generalistas” pois sempre existe ganho quando juntamos diferentes pontos de vista.

 

Descobri que eu nasci pra ser médica sim, mas nasci também para ser professora, escrever, dar aulas e palestras, gravar vídeos e estar no meio do povo! Descobri que eu poderia ressignificar a minha prática médica, dando valor à minha forma de ver o paciente (integral e sistêmica) e que para a minha surpresa, já tinha muita gente no mundo fazendo isso e sendo feliz… E então descobri que eu poderia sim ser feliz, plena e ter retorno econômico sendo médica. Que “ganhar dinheiro” não significava abrir mão da excelência no meu atendimento. E que “velocidade” era apenas um dos caminhos e não o único.

 

Tantos ganhos, tantas transformações… E no meio de todo esse processo, caiu uma “ficha” muito importante. Todo aquele conhecimento do coaching integral sistêmico (C.I.S.) era o que faltava para que eu tivesse a ferramenta certa para acessar a parte de baixo do iceberg dos meus pacientes. O que eu sempre soube que faltava na minha prática médica não era a dificuldade de identificar os fatores emocionais ligados ao “adoecer” e sim, saber o que fazer com esses fatores.

 

Então decidi me aprofundar e começar a jornada de formação em Coaching. Escolhi fazer a metodologia CIS (Coach Integral Sistêmico) pois além dela estar alinhada com os meus valores (olhar integral e sistêmico), ela tinha MUITO embasamento científico. E depois de todos esses anos como cientista e professora, eu não iria me satisfazer se assim não fosse.

 

Embarquei então nessa jornada de uma nova capacitação profissional. E junto com ela, um mergulho também no autoconhecimento. Fiz a formação em coaching, em análise de perfil comportamental (ambos com a metodologia CIS), estou fazendo o curso de Eneagrama e já inscrita para o curso de Master Coach, para aprofundar ainda mais as técnicas de identificação e reprogramação de crenças limitantes e fraturas emocionais.

E agora?

Essa história não termina aqui. Pois agora, como todo esse novo mundo de conhecimento, muitas novas idéias e muitos novos caminhos estão se abrindo.

Sinto que hoje o mundo tem uma cor diferente, aquela cor linda e brilhante que vemos quando sentimos que tudo é possível.

Não vou terminar esse texto, vou deixar em aberto para vocês irem acompanhando as novidades conforme elas forem acontecendo.

Hoje eu abri meu coração e a minha vida para meus leitores – coisa que eu jamais teria feito antes, quando estava tentando ser aquela pessoa analítica e formal que eu não era. E para mim, isso é uma grande vitória! E poder compartilhar isso com vocês é uma grande honra.

Obrigada do fundo do meu coração por terem me acompanhado até aqui e por terem lido esse texto até o final. Gratidão a papai do céu pela vida de todos vocês!

Espero ter ajudado e inspirado um pouco mais o seu dia!
Um forte abraço de 40 segundos!!!!!!!

14 Comentários

  1. Claudia Cury disse:

    Querida amiga Juliana!! Adorei conhecer mais da sua jornada!! Me encantei Ainda mais!!! Você é única!! Lembra sempre disso! Parabéns pelas decisões, elas farão toda diferença em sua vida , pois são as suas decisões e não suas condições que farão a diferença em sua vida! Estou grata por saber que dentro da Medicina tenham pessoas como você! Com esse olhar! Precisamos é muito!!! Continue firme nessa jornada e conte comigo com o que precisar! Bjussss 7 – I !!!! Rs

    • drajulianagabriel disse:

      Minha querida Cláudia! Gratidão pelo seu carinho e pela sua amizade!!!! Você fez e faz muita diferença na minha vida e foi parte muito importante deste processo! Mil beijos!

  2. Eduardo disse:

    Texto sensacional! Parabéns Ju!

  3. Marilena disse:

    Lindo e emocionante o post! E desejo que vc tenha muito sucesso e reconhecimento ajudando também a inúmeros pacientes. Você é muito especial! Bjs M

  4. Mariana disse:

    Parabéns querida!!!! Muitos sucesso!!!!
    O melhor com certeza ainda está por vir!!!!!!

  5. Andres disse:

    Que artigo incrível! Obrigado por compartilhar a sua experiência conosco!

  6. Márcia disse:

    To emocionada Ju. Que lindo depoimento! Vc realmente é uma pessoa especial! Essa busca incessante pela realização, formação, adição, sem deixar o lado humano e sentimental de lado, te faz e fará ser um diferencial tanto no plano profissional como no de relacionamento. Muuuito sucesso e perseverança. Te amo queridona! Bjs tia Márcia.

    • drajulianagabriel disse:

      Eu que estou emocionada com esse comentário tão lindo! Muito obrigada, Tia!!!! Pelo amor incondicional desde muito antes de eu nascer! Te amo!

  7. Jair Gabriel disse:

    Você não cansa de nos surpreender e encantar? Simplesmente incrível. Difícil crer que uma “ídola” tivesse tantos questionamentos! Você é um show cada vez melhor de acompanhar! Parabéns e mais sucesso ainda!

    • drajulianagabriel disse:

      Muito obrigada pelo carinho e apoio desde meus primeiros suspiros!!!! Fiquei muito emocionada com seu comentário, tio! Amo você!!!!

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