[Considerações Livres] Por que precisamos tanto de validação externa?

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Queria compartilhar com vocês uma reflexão. Na verdade, foi uma ficha que caiu pra mim no curso de oradores e palestrantes. Mas essa ficha, essa reflexão e esses sentimentos envolvidos vão muito além da situação “falar em público”. Tem a ver com relacionamentos como um todo, desde o bom dia para alguém que entrou no elevador com você até os relacionamentos mais íntimos. Vou explicar.

Ontem à noite assisti novamente um dos filmes da minha lista de tarefas da formação em Coaching. O filme chamado “Delírios de Consumo de Becky Bloom” conta a história de uma mocinha que é viciada em compras e, por ironia do destino, acaba se tornando jornalista em uma revista de economia. Na verdade, tudo começou pois os pais dessa moça eram “poupadores” e viviam um estilo de vida modesto, regado a muitos brechós e produtos “duráveis” enquanto as amiguinhas da escola riam dos sapatos marrons da menina, do alto das suas sapatilhas rosas cintilantes.  Isso fez com que a menina sentisse um profundo senso de inadequação e acabasse por se tornar uma compradora compulsiva, numa tentativa frustrada de ser aceita pelo que vestia (e não por quem era).

Quem me acompanha nas redes sociais deve ter visto que eu estou fazendo a formação em Coaching Integral Sistêmico e fiz um curso de Formação de Oradores e Palestrantes, com a metodologia do Coaching, há alguns meses. Esse curso, diferente dos demais, tem enfoque não só nas técnicas, mas principalmente nas crenças envolvidas quando temos que nos expor publicamente.

 

Eu, que sou professora há anos, que já dei muitas palestras e sou super comunicativa, tinha um bloqueio enorme em gravar vídeos e não conseguia entender o motivo. Tinha vontade de começar um canal no YouTube (e muitas pessoas me estimulavam para seguir esse caminho), mas sentia um verdadeiro “bloqueio” ao apertar o “gravar”.

Na verdade, racionalmente, eu já sabia o motivo: quando estamos diante de pessoas, conseguimos “sentir” o ambiente e modular nossa performance de acordo com o que o interlocutor vai demonstrando. Na sala de aula isso é muito claro; se a turma está quase dormindo, a gente muda o tom da voz, dá um exemplo prático, faz uma brincadeira. Numa conversa, mudamos o rumo do assunto ou nos aprofundamos dependendo da linguagem corporal do outro. Mas no vídeo não tem como… No vídeo é assim: fez e está feito. E se alguém não gostar, não tem como contornar, não tem como modular. Você está lá, exposto, sem direito a defesa. E isso é apavorante.
Racionalmente eu sabia que era isso.

Mas foi durante o curso (quando tivemos que gravar vários vídeos para treinar) que pude confrontar o meu medo e chegar a algumas reflexões. Foi aí que a ficha caiu: Por que precisamos tanto da validação externa? Por que muitas vezes a opinião do outro conta mais do que a nossa própria opinião? E qual o impacto disso nas nossas vidas, nas nossas escolhas e, princialmente, na nossa opinião sobre nós mesmos?

A necessidade de validação, na verdade, é a ponta de um iceberg. Pode estar relacionada com vários outros entraves emocionais: baixa auto estima, baixa auto confiança, medo da rejeição, medo do abandono. O ser humano tem em sua natureza a necessidade de ser amado e amar. Porém parece que não estamos fazendo isso tão bem. Porque não se pode amar o outro sem antes amar a si mesmo. Osho diz em seus livros que onde existe amor não existe medo. E onde existe medo, não existe amor. E não tem como “amar a si mesmo” se estamos o tempo inteiro com medo do outro não nos aprovar.

Quando observamos o mundo à nossa volta, podemos ver muitas pessoas tomando atitudes que são um nítido sinal de falta de amor a si mesmo, assim como a mocinha do filme. No entanto, quando é com a gente fica mais difícil de enxergar. Por isso, fazer esse curso foi importante pra mim, no entanto, essa minha “ficha” só caiu no final do último dia, nos últimos momentos do curso. E eu saí de lá precisando de um direcionamento para buscar essa cura.

Uma das coisas que me ajudou foi perguntar o porquê de eu estar gravando vídeos. Isso eu aprendi quando passei pelo processo de coaching – a minha coach me ensinou a sempre me perguntar o porque das coisas. Quando a gente entende o porque, o “como” fica bem mais fácil (“when the ‘why’ is clear, the ‘how’ is easy). Foi assim com a minha transição vegana e está sendo assim com essa transição profissional onde eu acrescentei mais uma ferramenta didática no meu arsenal de comunicação: fazer vídeos.

Eu peguei um papel e escrevi porque eu queria começar a gravar vídeos. Fiz isso sozinha, não mostrei o papel pra ninguém. Privacidade é sempre uma estrada segura quando se quer tentar ouvir a voz do coração (que muitas vezes está escondida por tantos “barulhos externos”). Se você está diante de alguma decisão difícil, essa é uma tática que eu recomendo muito. Pergunte primeiro ao seu coração: por que fazer isso? E por que não fazer? A resposta geralmente está dentro de nós.

Quando entendi o que me motivava e o que me impedia, ficou claro que eu deveria sim gravar vídeos. Mas ficou claro também que eu deveria começar a dar menos importância à validação externa e fazer sempre por amor – como eu faço com muitas outras áreas da minha vida. Aproveitei o papel e escrevi em quais áreas eu ainda precisava muito de validação externa. E arregacei as mangas para trabalhar nelas. Estou trabalhando ainda.

Uma dica que eu dou (e que me ajudou muito no processo) é assistir ao vídeo do Ted Talk da Amy Cuddy (e, na sequência, o livro dela: “O poder da presença”). Ela escreve de uma forma bem fluida e nos faz enxergar que quando a nossa missão, o nosso propósito, é maior do que o nosso ego (no sentido da necessidade de aprovação), não tem como dar errado. Estar 100% presente, com foco no propósito, faz toda a diferença. E é o que eu tento fazer quando gravo meus vídeos: o propósito não é eu estar ali. O propósito é levar informação científica numa linguagem que todo mundo possa entender. O propósito é #endocrinologiaparatodos. E isso é muito maior do que eu!

Espero que ao ouvir o meu relato, isso te ajude a olhar um pouco para as áreas da sua vida que estão precisando de atenção (e carinho). Se a opinião do outro ainda causa um impacto profundo na sua opinião sobre si mesmo e no seu amor próprio, repense. Talvez seja hora de arregaçar as mangas e encarar seu “monstro” interno. Se você não der conta de fazer isso sozinho (e no começo é muito difícil mesmo fazer sozinho), peça ajuda. De preferência, ajuda profissional. Depois, com o passar do tempo, a gente vai aprendendo as ferramentas e se curando sozinho.

Nesse meu processo, o trabalho com a minha Coach me ajudou muito. Ler muitos livros também (posso fazer um post com as dicas de livros, se vocês quiserem).  Enfim, são várias as possibilidades. Para algumas pessoas, a terapia tradicional (psicoterapia) pode ser o melhor caminho. Para outras, a terapia comportamental ou mesmo ocupacional. Não existe regra. Existe aquilo que se encaixa melhor para você e também para o momento que você está vivendo. Para mim, há algum tempo atrás, foi a massoterapia com uma terapeuta ocupacional (que eu ainda faço até hoje, porém com menor frequência). Hoje estou me identificando profundamente com a metodologia do Coach Integral Sistêmico (tanto que decidi estudar e me formar nessa área – um projeto que já está em andamento).

Para finalizar, queria deixar a mensagem que cada dia é um presente. Devemos aproveitá-lo ao máximo e perder tempo se preocupando com a opinião do outro pode nos impedir de estarmos felizes HOJE. Busque sua felicidade todos os dias. Nunca é tarde para mudar, nunca é tarde para melhorar, nunca é tarde para aprimorar. Caminhar na estrada do medo não nos levará para perto da felicidade. Ao contrário! Devemos caminhar sempre pela estrada do amor. Cada dia que estamos caminhando na estrada do coração é um dia que valeu a pena ser vivido.

Carpe diem!

Um forte abraço a todos e uma ótima semana!

[Observação: “Validar” = é um ato que expressa o amor através de elogios, de palavras que edificam, apreciam e incentivam o outro.]

1 Comentário

  1. Marilena disse:

    Excelente o post! Leva- nos à reflexão sobre nós mesmos e as pessoas com as quais convivemos . Felicidade é o que importa e o amor faz parte dela. Adorei! Bjs M

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