Diabetes & Dieta “Low Carb” (cetogênica), com a participação do Dr. Arnaldo Moura Neto

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Durante a semana da vivência em diabetes, recebi algumas perguntas e uma delas foi relacionada à contagem de carboidratos e a dieta chamada “low carb” (ou dieta “cetogênica”) para pacientes diabéticos. 

Então resolvi pedir ajuda para o Dr. Arnaldo Moura Neto, meu colega na disciplina de Endocrinologia da Faculdade São Leopoldo Mandic e Médico Endocrinologista da Unicamp.


O Dr. Arnaldo fez seu Doutorado na área de Diabetes e tem muito mais experiência do que eu no manejo da bomba. Ele respondeu algumas perguntas:

1) O que é a dieta low carb? Quais as principais vantagens e desvantagens? 
Dr. Arnaldo: Dieta “low carb”,
ou dieta de baixo carboidrato, é uma dieta que contém baixo teor de
carboidratos na sua composição. Normalmente, o recomendado em uma dieta
saudável é que cerca de 60% das calorias venham dos carboidratos, uma vez que
esse tipo de nutriente é a principal fonte de energia com que nosso corpo sabe
trabalhar. As dietas podem variar desde porcentagens menores de carboidratos em
relação ao total de calorias, até algumas mais radicais onde o consumo de
carboidratos é abolido completamente. Essas dietas ficaram populares por
promoverem perda de peso um pouco mais rápida do que as demais, principalmente
nos primeiros dias. No entanto, ao nos privarmos de nossa principal fonte de
energia, nosso corpo precisa buscá-la em outras fontes, ou seja, nossos
estoques de gordura, mas também nossos músculos. Assim, nesse tipo de dieta a
perda de peso geralmente inclui uma perda proporcionalmente maior de massa
muscular, o que é ruim. Além disso, como nosso cérebro não sabe usar gorduras
ou proteínas, pessoas que desempenham atividades intelectuais podem
experimentar uma dificuldade importante no dia a dia. Atividades físicas mais
vigorosas também serão prejudicadas, pela falta de energia imediata para os
músculos.
Então, Juliana,
não recomendamos esse tipo de dieta para nossos pacientes, sejam diabéticos ou
não. O importante a ressaltar é a qualidade do carboidrato:  evitar alguns tipos de carboidrato, como
aqueles refinados, muito presentes em alimentos industrializados. Esses não
devem ultrapassar 5% das calorias do dia (cerca de 25g – 3 a 4 colheres de sopa
no total – de açúcar refinado por dia, no máximo).  

2) O paciente diabetico pode fazer a dieta low carb? Seria melhor para o controle dos níveis de glicose?

Dr. ArnaldoComo eu disse
anteriormente, não se recomenda esse tipo de dieta para pacientes com diabetes
(ou qualquer paciente, na verdade). Teoricamente, não haveria nenhum
impedimento, mas o recomendável é que pacientes com diabetes sigam dietas
saudáveis, bem balanceadas, iguais as que qualquer pessoa deveria seguir, sem
restrições ou modismos.
Inclusive, a idéia por trás da contagem de
carboidratos e da bomba de insulina é exatamente possibilitar uma alimentação
normal e flexível. Para alguém em uso de bomba de insulina, ou mesmo múltiplas
injeções de insulina por dia com canetas ou seringas, se seguem a contagem de
carboidratos e as aplicações de insulina corretamente, o controle glicêmico não
apresentará qualquer vantagem com essa dieta. É completamente possível obter
um ótimo controle glicêmico com contagem de carboidrato e uma dieta normal, bem
orientada e balanceada.
E com a vantagem de que provavelmente a pessoa deve
se sentir menos indisposta do que com a restrição de carboidratos.

3) Existe um risco maior de hipoglicemia ou cetoacidose?

Dr. ArnaldoSe o paciente
segue a contagem de carboidrato corretamente e se a prescrição de insulina
basal (ou “lenta”) não está excessivamente alta (o que infelizmente na prática
é comum), o risco de hipoglicemia é pequeno, porque as doses de insulina rápida
acompanharão a redução do carboidrato. Contudo, o maior consumo de proteínas e
gorduras dessas dietas pode fazer com que o pico glicêmico seja mais tardio,
levando a hipoglicemias logo após a alimentação e hiperglicemias após algumas
horas depois da refeição.
Já a cetoacidose
é uma complicação aguda e muito grave que ocorre nos pacientes com diabetes
tipo 1 e que acontece em situações de ausência de insulina ou de
estresses fisiológicos extremos. Assim, se o paciente não omitir doses de
insulina, principalmente a insulina basal ou “lenta” (ou se não houver
entupimento de cateter, omissão de uso ou mal funcionamento, no caso da bomba
de insulina) a chance de cetoacidose é mínima. 



Obrigada Dr. Arnaldo, pela paciência e disponibilidade! Forte abraço! 


Espero que tenham gostado da entrevista! Grande abraço a todos!!!

1 Comentário

  1. Anônimo disse:

    Todas as pessoas diabéticas deveriam ler e ficar a par dos riscos dessas dietas da moda. Muito boa a entrevista! Bjs M

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