Dicas de saúde para viajantes: Peru!

Uma mensagem…
28 de julho de 2016
Palavra da nutri: LIMPEZA DA GELADEIRA!
8 de agosto de 2016
Quem me acompanha nas redes sociais viu que eu estive de férias e passei a última semana no Peru.  Isso me inspirou a escrever um post sobre saúde para viajantes (em especial para aqueles que vão para este país e optam por encarar a altitude para se deslumbrar com a vista de Machupicchu).  Também fiz algumas observações para casos especiais (como Diabéticos, Celíacos e Cardiopatas…)… Espero que seja útil!

Planejando sonhos…

Quando vamos tirar férias e decidimos viajar, temos que pensar em muitas coisas com antecedência.  O roteiro, as reservas, a compra de moeda estrangeira…  Mas fazer um planejamento em relação à saúde é de igual importância e muitas vezes é um tema esquecido pelos viajantes.

Em primeiro lugar, alguns destinos exigem que nós, brasileiros, apresentemos um certificado de vacinação contra a Febre Amarela.  No caso do Peru, este certificado é “recomendável”, mas não é obrigatório.  De qualquer forma, o procedimento é o seguinte: deve-se fazer a vacina em qualquer posto de saúde credenciado e depois procurar um posto da anvisa para fazer o certificado oficial de vacina.  Todas as informações estão no site da Anvisa: http://www.anvisa.gov.br/viajante/
Certificado Internacional de Vacinação (Anvisa)

Um segundo ponto é você planejar uma visita ao seu médico para conversar sobre a viagem e as recomendações específicas para quem já tem algum problema de saúde conhecido, como Diabéticos, Celíacos, asmáticos, cardiopatas etc.  Mas também para quem é saudável mas planeja uma viagem longa.  Vou falar um pouco mais sobre isso adiante.


Quem faz uso diário de medicamentos deve levar uma receita recente (se possível em Inglês) junto aos medicamentos, que devem preferencialmente ser transportados na mala despachada.  Isso vale para qualquer medicamento, mas em especial para medicamentos injetáveis (como insulina, por exemplo).


Quem precisar levar medicamentos na mala de mão, deve pegar com seu médico uma justificativa (como um relatório médico), em Inglês.

Água = vida

Durante viagens, o risco de desidratação é maior do que no dia-a-dia.  Isso porque viajantes frequentemente “esquecem” de beber água (por estarem muito ocupados vendo paisagens, museus, etc) ou mesmo optam por restringir a água para evitar “ir ao banheiro” (às vezes encontrar um lugar para fazer xixi em viagens pode ser um grande desafio!) ou mesmo por economia.  Não façam isso!

Beber água é essencial para evitar adoecer durante a viagem.  Muitos locais tem água potável na bica normal (como é o caso da Europa).  Em locais onde a água encanada não é recomendada para consumo (como por exemplo no Peru), pode-se comprar a garrafa grande em supermercados e ir enchendo as pequenas (pois comprar garrafinhas na rua é bem caro).

Sítio arqueológico ‘Huaca Pucclana’, em Lima: poeira inca até dizer chega…


No Peru o clima é extremamente seco.  No caso de Cusco e Machupicchu, além do tempo seco, tem o sol forte das montanhas.  E tem também os efeitos da altitude.  Ou seja, economizar na água é pedir para ficar doente e estragar a viagem!

O sol dando as caras na belíssima paisagem de Machu Picchu…

Tempo seco e sol

Quando o local tem clima seco, deve-se redobrar a atenção: levar hidratante labial, soro fisiológico para o nariz (ESSENCIAL, acreditem! Mesmo para quem não é alérgico, vale muito a pena levar soro de nariz, pois no Peru o clima é MUITO MUITO seco!), beber muita água.  Eu uso lente de contato e também tive que redobrar a atenção com os colírios lubrificantes.

Usar filtro solar NO CORPO TODO, todos os dias, e retocar nas partes expostas no meio do dia.  Isso evita muitos problemas!
No Peru é comum ver turistas com a pele queimada (tipo “camarão”) e ambulantes vendendo chapéus e bonés (“sombreros”). Portanto, se você esquecer, ainda tem a opção de comprar lá.

Eu peguei emprestado um guarda-sol, que foi o que me salvou durante as andanças!

Minha companheira, a sombrinha…

Comida

De uma forma geral, a comida não é uma preocupação do viajante.  No entanto, quando se tem alguma restrição alimentar, deve-se minimamente estudar o cardápio local antes da viagem e fazer alguns planejamentos.
No Peru, a comida é um capítulo à parte.

Café orgânico peruano: muito amor!


Os pratos típicos peruanos são, de uma forma geral, mais ricos em proteína do que o clássico arroz com feijão brasileiro.  Isso se deve principalmente ao alto consumo de proteína animal (como o Cuy, o famoso “porquinho da índia”, a carne de alpaca e os frutos do mar), ao uso corrente das sementes andinas e ao hábito de comer os vegetais locais (como o maiz, o supermilho, e os frijoles, feijões locais).

O famoso ceviche, acompanhado do não menos famoso “pisco sour”!


Isso faz com que o índice glicêmico de uma refeição seja muito diferente da nossa.  Resolvi fazer alguns destaques:


  • Pessoas com Diabetes:
 Devem, nos primeiros dias, fazer um controle glicêmico mais estreito, pois pode haver mudança na necessidade de insulina rápida (ou mesmo uma mudança no padrão de resposta glicêmica à alimentação, como pico mais tardio, podendo exigir que a insulina ultra-rápida seja aplicada após a refeição e não antes).  Por outro lado, as mil opções de barrinhas de sementes podem ajudar a evitar a hipoglicemia ao longo do dia pois tendem a deixar a glicemia mais estável.
  • Celíacos:
No Peru existem muitas opções de alimentação sem trigo, pois o principal carboidrato deles é o milho (destaque ao cereal matinal deles que é uma delícia) e eles usam muito as sementes andinas.

“Chicha”: o milho preto peruano, no mercadão de Cusco

Sementes andinas a peço de banana no mercadão de cusco


Mas nem todo alimento que é vendido tem no rótulo a composição, por isso, o cuidado de sempre continua válido!

  • Vegetarianos e veganos:
Vegetarianos podem ter um susto inicial pois a grande maioria dos pratos da culinária local é com grande quantidade de proteína animal.  No entanto, uma surpresa boa é que sempre existem opções vegetarianas no cardápio de qualquer restaurante (geralmente com ovo). 

Restaurante vegetariano em Lima, em Miraflores…

Talvez os veganos tenham um pouco mais de dificuldade e tenham que se adaptar…

A famosa sopa de quinoa, que ganhou meu coração…


Mas a sopa de quinoa é uma boa opção para quem é vegano e quer provar pelo menos um prato da culinária local.
  • Outros:
– Quem tem alergia à frutos do mar deve redobrar a atenção, pois frutos do mar são muito comuns por lá e a maioria dos restaurantes oferece várias opções de pratos com frutos do mar – todos os restaurantes tem no mínimo o Ceviche no menu. E não podemos garantir que o preparo dos pratos sem frutos do mar é feito com higiene adequada…
– Alérgicos à lactose não devem ter muito problema, pois o leite não é tão onipresente nos pratos como é aqui no Brasil…

Fiquei muito feliz em perceber que a conscientização sobre intolerantes alimentares chegou ao Peru…
– Hipertensos e cardiopatas também devem tomar cuidado com o sal local (o “sal dos andes”), os pratos são bem salgados!
– Quem tem gastrite e refluxo, deve ficar de olho nas pimentas e temperos locais (os pratos peruanos são bem apimentados! Mas a vantagem é que os garçons sempre perguntam antes o quão “caliente” você quer o seu prato hehehe)…

Observação: Em viagens de ferias: manter a dieta ou se jogar com tudo nas guloseimas?



Acredito muito que quando estamos visitando um lugar novo e conhecendo uma cultura nova, seja num outro país um em uma outra região do nosso lindo Brasil, conhecer a gastronomia local faz parte do turismo e é imprescindível para vivenciar aquela cultura… (*)



Se, por um lado, privar-se de conhecer novos pratos somente pela dieta pode tornar a sua viagem morna… Por outro, se você sai demais da sua rotina alimentar, existe o risco de você passar mal e aí sim estragar a viagem!
Por isso acho que a resposta para a pergunta acima é: equilíbrio!
No Peru a comida é maravilhosa! Mas bastante diferente do meu hábito alimentar atual… Consegui resistr bravamente às barraquinhas de churros… (e olha que estavam em cada esquina! Rsrsrs…) Mas não vou mentir pra vocês: não resisti e provei a tal “Inka Cola”! (que é mais doce que amor de mãe 😛)…

Por outro lado, encontrei uma “barrinha energética” feita com as sementes andinas (quinoa, chia) e farinha de coca (não dá “barato”, mas deixa a boca levemente dormente) e as frutas locais são deliciosamente doces!

Bebidas feitas de produtos locais: a famosa ‘chicha morata’ (bebida de milho preto), suco de quinoa, entre outros…

Barraquinhas de frutas por todo lugar: as frutas lá são saborosíssimas!

Barrinhas de sementes andinas e mix de castanhas e frutas secas são facilmente encontrados em qualquer vendinha…

Enfim, sim, provei algumas iguarias mas sem sair demais da linha!
(*) Obs: quem tem alguma restrição alimentar ou problema de saúde, deve redobrar os cuidados na viagem, como eu disse antes! Mas sem deixar de aproveitar!


Altitude

Quem acompanha as minhas redes sociais viu que eu sofri muito com a altitude.



A reação do corpo à mudança brusca de altitude varia muito de uma pessoa para outra e é independente da idade ou do condicionamento físico.

Quando chegamos em Cusco eu realmente senti muito: um cansaço com mínimos esforços (como por exemplo, escovar os dentes ou mesmo dar risada), tontura, sonolência e dificuldade de me concentrar. Se não fossem as meninas, eu não teria nem conseguido preencher a ficha de check in do hotel!

Já elas ficaram “só” cansadas, sem o pacote completo.
Quando planejamos nosso roteiro, já sabíamos que teríamos este desafio pela frente. Então, eu resolvi estudar um pouquinho sobre o assunto.
Seguimos todas as recomendações que eu havia pesquisado: descansar por pelo menos 2 horas ao chegar; se hidratar bastante; comer comidas leves (eu jantei a tal sopa de quinoa, que foi perfeita) e evitar bebida alcoólica. Nos materiais sobre saúde do viajante eles não recomendam beber o tal chá de folha de coca, que é clássico de lá…

Eu optei por tomar mesmo sem a recomendação oficial para vivenciar essa tradição (e também porque eu estava tão “zureta” que queria muito melhorar logo! Rsrsrs)… E confesso que dá SIM um certo conforto (talvez psicológico, talvez não)…

As famigeradas folhas de coca, no mercadão de Cusco…



Os nativos inclusive recomendam cautela com a questão da água: eles dizem que a falta de oxigenação no cérebro dá uma falsa sensação de sede; no entanto, se você beber água muito rápido pode ter enjôo e vômitos. Por isso eles recomendam o chá (e em pequenos goles), pois a substância presente nas folhas melhora a oxigenação e os sintomas desta condição.
Ainda assim, acho que beber água é fundamental pois o tempo é muito frio e seco.  Mas vale a recomendação de beber devagar e em pequenos goles (o mesmo vale para a comida: comer comidas leves, em pequenas porções e várias vezes ao dia é melhor do que fazer uma grande refeição).


Dizem que no dia seguinte o mal estar já melhora e as meninas realmente ficaram super bem. Já eu passei super mal, principalmente depois do almoço (mais “pesado”).  Muito cuidado com a comida pesada! Ela piora bastante os sintomas.

Uma outra coisa que ajuda é levar na mala um analgésico e um remédio para enjôo (ver mais adiante).
Uma outra observação que eu gostaria de fazer: quando estava sentindo os efeitos da altitude, não pude deixar de pensar nas pessoas que tem problema de coração (cardiopatas) e de pulmão (pneumopatas).  Para essas pessoas, a sobrecarga que a altitude traz ao corpo pode ser muito perigosa e desencadear uma descompensação da doença de base.  

Por isso, é IMPRESCINDÍVEL que procurem seus médicos antes de viajar e planejem uma conduta em casos de emergência (como medicamentos ou mesmo oxigênioterapia).  Uma outra dica é evitar a aclimatação rápida.  Se possível, planeje seu roteiro para ir subindo aos poucos e tendo pelo menos um ou dois dias de adaptação em cada lugar.

Eu fui de Lima (nível do mar) para Cusco (3400m de altitude) num vôo direto e passei muito mal.  Quem tem asma ou insuficiência cardíaca pode correr riscos, portanto, todo cuidado é pouco!

(não preciso nem dizer que para essas pessoas fazer um seguro saúde para a viagem é fundamental!  Aliás, é fundamental para todos, mas em especial para quem tem alguma condição de saúde especial!)

Por isso resolvi fazer pra vocês uma sugestão de Mini-Farmacinha para levar 

(lembrando mais uma vez que todos os itens devem ser discutidos com seu médico antes e, para o transporte de medicamentos, deve-se levar a receita!)…



O que levar (mini-farmacinha)

  • Filtro solar (+ sombrinha ou chapéu e óculos de sol)
  • Hidratante labial
  • Soro fisiológico de nariz e soro para lente (colírios hidratantes).
  • Soro de reidratação oral em saquinho (principalmente para quem for fazer o caminho Inca à pé!)
  • Analgésicos (dor de cabeça é um sintoma muito comum do mal da altitude)
  • Remédio para enjôo (também é um sintoma comum)
  • Antiácidos (especialmente para quem tem gastrite e refluxo, devido aos temperos fortes) 
  • Antialérgicos (atenção especial para quem tem alergia respiratória e alergia alimentar, por exemplo, frutos do mar) 
  • Para quem for fazer o caminho à pé, levar kit de primeiros socorros com gaze, esparadrapo, antissépticos, pomada para assadura (tipo “hipoglos”)… Se possível, redobrar a atenção com palmilhas e protetores para os pés.
  • Para quem tem problema de circulação e para cardiopatas (e mesmo para quem não tem), vale muito a pena levar meia elástica, não só para o avião, mas para o “bate perna” dos roteiros turísticos!
Ufa!
Acho que não esqueci de nada!

Viajar muitas vezes pode parecer uma verdadeira maratona… Mas vale MUITO a pena!!!!  Por isso acredito que prevenir é o melhor remédio e planejar tudo com antecedência faz com que os problemas desapareçam e fique só as boas lembranças!

Espero que gostem e que seja útil na sua próxima viagem!

(termino esse post com uma reflexão, que coloquei nas redes sociais e compartilho também por aqui):




Ir a Machupicchu me fez ter algumas reflexões.. Uma delas é que realizar um sonho muitas vezes pode exigir certos sacrifícios… Para conseguir alcançar a mais bela paisagem (e por paisagem, entenda-se aquilo que você quer, seu sonho, seu objetivo), muitas vezes temos grandes escadarias pela frente… Muitas vezes temos que escalar em condições desconfortáveis ou mesmo dolorosas… Eu poderia dizer que quando se alcança e nos é permitido contemplar aquela paisagem tão linda, todo o esforço vale a pena. Mas isso você já sabe.

O que eu quero dizer é que todo o processo que te faz chegar lá é o responsável pelo real aprendizado. Todo o esforço, todas as vezes que você parou e pensou em desistir (por que muitas vezes você estava sem ar pra respirar), é isso que faz você chegar lá em cima uma pessoa diferente daquela que começou a subir.

E naquele momento em que te faltou o ar, será que os pequenos problemas cotidianos que te aborreciam na subida faziam sentido?

Aposto que não.

Quando estamos em busca de algo maior, percebemos que não podemos mais perder energia com as coisas pequenas.

Portanto, esqueça a toalha fora do lugar, o barulho do vizinho, a geladeira que pifou, o celular novo que você não tem dinheiro pra comprar. Isso é muito pequeno diante da grandiosidade que é a vida (e a natureza), do enorme valor que tem a saúde e, principalmente, da verdadeira alegria que nos traz o AMOR! 



Uma ótima semana a todos! 


1 Comentário

  1. Anônimo disse:

    Ótimas as dicas sobre viagens! Mini farmácia, dietas p diabéticos,celíacos,etc… Muito bom saber e prevenir os problemas quando saímos para passear. Bem detalhado e de fácil entendimento. Show! Bjs M

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