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Hoje, dia 14 de novembro, se comemora o Dia Mundial do Diabetes.  Neste dia, o mundo inteiro se une e se ilumina de azul, para chamar a atenção para esta doença que acomete mais de 10% da população mundial.

Durante esta semana vou fazer uma série de posts falando um pouquinho sobre esta afecção.
Neste primeiro post, vamos falar um pouco sobre o que é o diabetes e os parâmetros e critérios para o seu diagnóstico.




Diabetes Mellitus é um nome que se refere à “urina de mel” ou “urina doce”. Trata-se de uma terminologia descrita no século XVIII para diferenciar esta afecção de um outro tipo de situação com excesso de diurese.  

O Diabetes Mellitus, já conhecida desde os egípcios, era uma condição onde havia excesso de urina (aumento da diurese) e esta urina tinha a capacidade de atrair formigas (por isso urina de mel ou “mellitus”). Faço esta diferença pois também foi descrito um outro tipo, o Diabetes Insipidus, onde havia também um aumento na diurese porém a urina não tinha gosto (“insipidus”). 

Estas são duas doenças completamente diferentes porém com nomes parecidos e alguns sintomas semelhantes.

Hoje conhecemos o porque deste excesso de açúcar na urina. Vou usar de licença poética para tentar explicar de uma forma simples o que é o Diabetes Mellitus (que vou passar a chamar de DM) e como se dá o diagnóstico.

Conhecendo o corpo: qual o combustível para funcionarmos?


Nosso corpo é uma máquina e como tal, precisa de um “combustível” para funcionar. O principal combustível que nosso corpo usa é a GLICOSE (e quando digo “corpo”, quero dizer que exatamente todos os órgãos, todas as células, por menor que sejam).

A glicose é a menor parte do açúcar. Imagine o açúcar como sendo um muro: a glicose seria o tijolo. Imagine os nossos órgãos como sendo um muro: cada uma de nossas células seria o tijolo que forma esse muro.

Assim, para que a menor parte do nosso corpo (as células) consigam ter energia para funcionar, os principais alimentos que são fontes de energia (carboidratos, gorduras e proteínas) precisam ser “quebradas” e, em última instância, transformados em GLICOSE (pois é basicamente dela que extraímos energia).

(OBS: sim, nosso corpo é capaz de transformar o excesso de proteína e gordura em glicose.  E também é capaz de extrair glicose das gorduras e proteínas quando falta o carboidrato).

Portanto, para que a glicose chegue nas células, é preciso percorrer um longo caminho:

1) Primeiro, o alimento precisa ser digerido (“quebrado”) no trato digestivo para conseguir ser absorvido pelo corpo.  Para que isso aconteça, é necessária a ajuda de vários órgãos: glândulas salivares, esôfago, estômago, fígado, vesícula, pâncreas… E quando o alimento chega no intestino, já praticamente digerido, através dele passa para o sangue e começa a percorrer o corpo.

2) Pensando especificamente na glicose, ela começa a circular para ser utilizada pelas células. Porém, todas as células precisam de glicose para funcionar e se não houvesse um “sistema de controle”, as primeiras células ficariam com toda a glicose e as últimas ficariam sem. Por isso, para que a glicose entre nas células, é necessário abrir uma porta (um canal chamado GLUT) e para isso, é preciso a presença de uma CHAVE que abre esta porta (e esta chave se chama INSULINA). Assim, garante-se que todas as células do corpo tenham acesso à glicose do sangue, basta usar a chave. 



3) O Pâncreas é um órgão que além de produzir um suco pancreático que ajuda na digestão, também produz o hormônio insulina. Isso acontece quando a taxa de glicose começa a subir no sangue.



Portanto, para que nosso corpo consiga energia, nós precisamos:
1) Nos alimentar
2) Que esse alimento seja digerido no intestino
3) Que ele passe para o sangue e comece a circular
4) Que o pâncreas produza insulina, para que esta glicose consiga entrar nas células.


Quando o caminho dá errado: o Diabetes Mellitus


Então imagine que você comeu, seu intestino funcionou perfeitamente e o alimento começa a “cair” na corrente sanguínea e a quantidade de glicose começa a subir.

Normalmente, isso ativaria o pâncreas para que ele comecasse a “jogar” chaves na circulação e com isso, as células pudessem captar sua glicose e usar como fonte de energia.  Neste caso, tanto as células estariam bem alimentadas como as taxas de açúcar no sangue estariam sempre num patamar estável.

Agora imaginem que deu algum problema com a chave: ou não está sendo produzida (DM tipo 1) ou está “emperrando” na fechadura (DM tipo 2): aquela glicose não consegue entrar dentro das células e começa a se acumular no sangue.  E nossas células começam a ficar sem energia (e ‘passar fome’, mesmo com o alimento presente na circulação).

Isto é o que acontece no corpo de alguém com DM. Por um lado, seu sangue está repleto de glicose (e esta glicose em excesso começa a saturar, como um copo com água e açúcar onde o açúcar começa a se depositar no fundo).  Isso leva a consequências para o corpo (como problemas circulatórios, entupimento de artérias, visão embaçada, etc…). Por outro, as células estão sem energia e os órgãos podem não conseguir funcionar direito. 


E quais os sintomas dessa situação toda?

Os principais sintomas do diabetes são:

1) Aumento da diurese (os rins tentam “eliminar” aquele açúcar em excesso, com isso aumentando a perda de água pela urina) – chamada de “POLIÚRIA”.

2) Ao perder muita urina, passamos a sentir muita sede (o que chamamos de “POLIDIPSIA”)

3) Como as células não estão conseguindo captar a glicose, corpo passa fome, a pessoa sente muita fome… (e passa a comer mais, o que chamamos “POLIFAGIA”)

4) Mas mesmo apesar disso, perde peso por desidratação e pela glicose não conseguir entrar nas células.

Portanto, os sintomas cardinais do DM são os chamados “POLIs”:



Qual a taxa de glicose que podemos considerar Diabetes?


Os polis são, como dissemos, os sintomas cardinais do DM.  No entanto, nem sempre estarão presentes, principalmente no começo da doença.

Por isso, é preciso fazer o exame de sangue para detectar o aumento na taxa de glicose.

É considerado o diagnóstico de DM quando a taxa de glicose está:

 – Maior ou igual a 126 no jejum;

 – Maior ou igual a 200 (2 horas após uma refeição ou um estímulo de glicose, como no teste oral com sobrecarga de dextrosol – curva glicêmica);

 – Maior ou igual a 200 em qualquer horário, desde que com os “polis” presentes.

É considerado “PRÉ-DIABETES” (uma situação onde o indivíduo está caminhando para o DM e a atenção deve ser redobrada) quando a taxa de glicose está:

– Entre 100 e 126 no jejum;

– Entre 140 e 200 no pós sobrecarga.



Importante lembrar que esses valores são para o EXAME DE SANGUE. O exame da ponta do dedo não é tão preciso e não pode ser usado para fazer o DIAGNÓSTICO.  Ele é usado somente para o controle da doença!

Quem deve fazer o teste para detectar o DM?


A recomendação da Sociedade Brasileira de Diabetes é que se faça a triagem de diabetes em:

– TODAS as gestantes no primeiro trimestre da gestação; 

– Em crianças e adultos com sintomas (excesso de sede, aumento da diurese, perda de peso) deve ser feita a pesquisa do diabetes o mais rápido possível; 

– Nas crianças e adultos com história familiar ou fatores de risco (obesidade, puberdade precoce, síndrome dos ovários policísticos, história prévia de diabetes gestacional, hipertensos, etc) a triagem deve ser feita anualmente.  

– Em adultos acima de 45 anos, já está indicada a triagem universal, anual.


Para finalizar!


Espero que tenham gostado do post!  Continuem acompanhando pois essa semana teremos muito mais informações e entrevistas sobre o DM, suas complicações, seu tratamento!

Um forte abraço a todos!


1 Comentário

  1. Anônimo disse:

    Muito bom o texto! Fácil de entender para leigos como eu e super importante para procurarmos o diagnóstico antes que seja tarde. Vou acompanhar os outros! Bjs M

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