Especial Diabetes: o tratamento Farmacológico (Entrevista com a Profa. Cíntia Cereda)

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Dando sequência ao nosso Especial Diabetes, hoje iremos conversar um pouco sobre o tratamento farmacológico (medicamentoso) do Diabetes Mellitus.



O manejo das doenças crônicas como o Diabetes Mellitus e a Hipertensão tem muitos desafios: trata-se de um tratamento para toda a vida, muitas vezes são doenças que caminham juntas (sendo necessário combinar os tratamentos) e ainda assim muitas vezes é necessário mais de um medicamento para controlar aquela doença.


Com isso, muitas dúvidas surgem nos pacientes e também muitos problemas pela questão da interação medicamentosa.


Para conversar um pouco sobre isso, convidei a Profa. Dra. Cintia Cereda, Professora da Disciplina de Farmacologia da Faculdade de Medicina São Leopoldo Mandic, Doutora em Biologia Funcional e Molecular, e pós-doutora em Farmacologia.





Segue a entrevista!

1) Numa fase inicial do Diabetes tipo 2, é comum o uso de um ou mais medicamentos para o controle da doença. Muitas vezes, o paciente também faz uso de outros medicamentos como por exemplo para controle da hipertensão arterial e do colesterol.  É seguro “misturar” todos esses remédios? Existe o risco de interação dos medicamentos?

Profa. Cíntia CeredaA interação entre medicamentos, é, sem dúvida, motivo de preocupação para aqueles que necessitam fazer uso de 2 ou mais fármacos no controle de doenças crônicas como diabetes e hipertensão.

É fundamental sempre a orientação médica, já que, ao administrar alguns fármacos de uso comum para essas patologias, há sim, o risco de efeitos indesejáveis. Podemos citar como exemplo, o uso da maioria dos hipoglicemiantes orais como a glibenclamida, insulina e metformina, com fármacos que reduzem a pressão arterial, como enalapril e captopril, que podem reduzir o efeito hipoglicemiante, ou seja, não ocorrerá a diminuição da glicose sanguínea como deveria.

O diurético hidroclorotiazida pode aumentar a glicemia diminuindo, assim, o efeito de alguns antidiabéticos como a glibenclamida e a metformina.

2) Muitos pacientes acabam parando os medicamentos no final de semana para poder “tomar uma cervejinha” ou comer uma comida mais pesada.  Quais os riscos dessa prática?

Profa. Cíntia CeredaA interrupção de qualquer tipo de tratamento, sem a orientação médica, sempre pode ser danosa para o paciente. Imaginem um paciente diabético que faça uso de hipoglicemiantes orais para o controle da glicemia; ao interromper o tratamento, obviamente o risco da ocorrência de um quadro hiperglicêmico aumenta, a depender do tipo de alimentação ingerido. 

Se o paciente ingerir alimentos com alto índice glicêmico, ou seja, alimentos que são digeridos e absorvidos rapidamente, causando aumento rápido de açúcar no sangue, esses alimentos podem levar a um pico de glicemia que pode ser perigoso para o paciente diabético. 

O aumento da glicose sanguínea leva a tentativa de busca do equilíbrio osmótico pelo organismo, com um consequente aumento do volume urinário e aumento considerável da sede do paciente. O agravamento desse quadro pode envolver dificuldade respiratória, náuseas e vômito.

3) Se o paciente que usa vários medicamentos crônicos (como os de Diabetes e Hipertensão) tiver uma intercorrência (como por exemplo uma dor de cabeça ou uma infecção de garganta) e precisar usar analgésicos e antibióticos, ele precisa parar os remédios do diabetes e da hipertensão?

Profa. Cíntia CeredaÉ importante que o paciente diabético ou hipertenso crônico tenham sempre a orientação médica para a administração de qualquer tipo de medicação, já que sempre há a possibilidade de interação medicamentosa danosa à saúde. 

Podemos citar como exemplo o uso da glibencalmida, um hipoglicemiante oral, que se for administrado em conjunto com agentes antibacterianos como a trimetoprima e o cloranfenicol, podem produzir hipoglicemia grave, devido competição por enzimas do metabolismo e também pela interferência com as proteínas plasmáticas, o que facilitaria a excreção. 

Entre outros exemplos podemos destacar também que o uso de antiinflamatórios não esteroidais como o ácido acetilsalicílico (AAS) e o diclofenaco de potássio em conjunto com fármacos de uso crônico como a Glibencalmida, a insulina ou a glimepirida (usadas por pacientes diabéticos) e captopril e hidroclorotiazida (fármacos de escolha para quadros hipertensivos), podem levar a um quadro de hipoglicemia moderada para os pacientes diabéticos ou uma diminuição do efeito hipertensivo para os hipertensos.

4) E por último, alguma dica ou recadinho para os leitores do blog?

Profa. Cíntia CeredaO recado que eu considero de extrema importância para a saúde de todos é que sempre se procure orientação médica para o uso de qualquer medicamento, principalmente se for um paciente que já faça uso de medicação de uso crônico. 

Isso se deve ao fato de que, além dos riscos já conhecidos da automedicação para a população em geral, esse paciente pode sofrer graves consequências em decorrência de possíveis interações medicamentosas.
Muito obrigada pela sua participação, Profa. Cíntia!!!!

Espero que tenham gostado da entrevista! Amanhã tem mais!

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