Especial Novembro Azul: o que é ANDROPAUSA?

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Este mês de Novembro é duplamente azul: é o mês da saúde do homem e também o mês do Diabetes. No começo do mês, fiz uma série de posts sobre o Diabetes (veja mais no nosso ESPECIAL DIABETES) e agora vou falar um pouquinho sobre a saúde do homem e um tema que gera muitas dúvidas: a ANDROPAUSA.




A chamada “Andropausa” (ou falência testicular secundária) é o equivalente do homem para a Menopausa da mulher.  Porém, diferente da mulher (que inevitavelmente vai entrar na menopausa em algum momento da vida), o homem naturalmente tem sua função reprodutora e hormonal presente ao longo de toda a vida (ainda que haja um declínio normal com a idade, a produção dos hormônios “nunca” cessa por completo, diferentemente do que ocorre na menopausa da mulher) (1).

No entanto, em algumas situações clínicas ou de risco, o homem pode ter esse declínio fisiológico (natural) acelerado, levando a um quadro de insuficiência na produção do hormônio masculino que em muito se assemelha à menopausa (2).


Fatores de risco

Os principais fatores de risco para a Andropausa são, coincidência ou não, os mesmos para as doenças cardiovasculares, câncer e outras relacionadas ao estado de “inflamação crônica”  (3–6):

  • Tabagismo (o mais importante de todos!)
  • Obesidade
  • Sedentarismo
  • Diabetes Mellitus
  • Hipertensão arterial
  • Dislipidemia (alterações no colesterol e triglicérides)

Outros fatores de risco descritos são:

  • Exposição à Disruptores Endócrinos (leia mais nesse post aqui)
  • Uso de certos medicamentos como: quimioterápicos, anticonvulsivantes, alguns antidepressivos, tratamentos à base de glicocorticoides (“cortisona”), entre outros
  • Radioterapia testicular (e também no sistema nervoso central – cérebro);
  • Ter tido, no passado, criptorquidia (testículos não descidos ao nascimento), caxumba (orquite), trauma testicular, varicocele, etc.
  • Doenças crônicas. Além das descritas acima (Hipertensão, Diabetes), outras doenças crônicas também afetam a função do testículo, por exemplo: insuficiência hepática (cirrose), doença renal crônica, Diabetes e Hipertensão, AVC, asma e DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), Síndrome de Klinefelter, entre outras.
  • Acidentes com traumatismo crânio-encefálico (TCE), meningite, encefalite e outras doenças do cérebro;
  • Uso prévio e prolongado de testosterona (anabolizantes, dopping) (falarei mais sobre a testosterona num próximo post!).


Sintomas da Andropausa

De uma forma geral, os sintomas da Andropausa começam a aparecer à partir dos 50 anos de idade, se tornando progressivamente mais frequente com o passar dos anos (e especialmente altos após os 70 anos) (3).

Os principais sintomas que os homens podem apresentar são sintomas gerais, inespecíficos, de aparecimento lento e progressivo, o que faz com que o diagnóstico muitas vezes passe desapercebido até que o quadro se torne mais grave.

Pode ocorrer:
  • Cansaço, fadiga, dificuldade de realização de atividades de alta intensidade (exercícios).
  • Alteração na memória (esquecimento) e desatenção;
  • Anemia
  • Piora do ganho de peso (pela perda de massa muscular e aumento de massa gorda) e, consequentemente, piora do colesterol, do diabetes etc (se já tiver estas doenças);
  • Diminuição do desejo sexual (libido) e disfunção erétil;
  • Infertilidade;
  • Ginecomastia (aumento do tecido mamário no homem), diminuição dos pelos corporais, diminuição da barba, etc;
  • Osteopenia e Osteoporose.

O foco do nosso texto é nas alterações relacionadas ao envelhecimento. No entanto, a falência testicular pode ocorrer em qualquer idade, dependendo dos fatores de risco e do histórico de saúde.

Caso a falência do testículo ocorra ainda na infância (como ocorre por exemplo com crianças submetidas ao tratamento do câncer), o principal sintoma apresentado é o atraso puberal (puberdade atrasada) e muitas vezes, a baixa estatura (falta do “estirão” de crescimento) e a ginecomastia.

Em adultos jovens, o principal sintoma (e a queixa que mais leva a busca por atendimento) é a infertilidade e a disfunção sexual.

Já nos idosos, em especial aqueles que já apresentam outras doenças (comorbidades), a principal queixa está relacionada com a disfunção sexual e os sintomas de fadiga, cansaço e anemia, além da piora das doenças de base.




Diagnóstico

O diagnóstico da Andropausa deve ser suspeitado e investigado quando o homem apresentar qualquer um dos sintomas ou possuír os fatores de risco.

Basicamente, o diagnóstico é feito através dos exames de sangue par a dosagem do hormônio Testosterona (e dos hormônios da Hipófise: LH, FSH e Prolactina), além de outros exames para detectar as causas e fatores de risco.

O pedido de exame deve ser feito por um médico, que pode ser Clínico Geral, Endocrinologista (Andrologista), Urologista ou mesmo Geriatra.

Tratamento

O tratamento da Andropausa deve ser individualizado, pois, para indicar a reposição de testosterona, vários fatores devem ser levados em consideração (nem todos os homens podem fazer uso deste medicamento, uma vez que podem ocorrer efeitos colaterais e interações medicamentosas).

Para os homens que não podem fazer uso da Testosterona (como por exemplo, aqueles que já tiveram Câncer de Próstata), existem outros tratamentos possíveis. Porém, a decisão deve ser individualizada e de acordo com o histórico de cada paciente.

Na dúvida, sempre converse com seu médico, procure informações em fontes confiáveis e coloque na balança os riscos e benefícios do tratamento antes de tomar uma decisão.

Considerações Finais


O objetivo deste post é INFORMATIVO (jamais substituir uma avaliação médica!), é abordar de forma simples para aumentar o conhecimento sobre um estado de saúde pouco conhecido porém bastante frequente entre os homens (chegando a mais de 30% dos homens acima de 70 anos).


Os homens não tem tanto hábito de fazer consultas regulares (o famoso “check up”) como tem as mulheres e muitas vezes, doenças que poderiam ser diagnosticadas e tratadas precocemente acabam sendo descobertas bem mais tarde, prejudicando o tratamento e piorando o prognóstico.


Por isso, homens, cuidem-se!


Cuidem-se para uma vida sempre saudável!!!






Espero que tenham gostado do post! Um forte abraço a todos!

Bibliografia

1. Bhasin S, Huang G, Travison TG, Basaria S. Age-Related Changes in the Male Reproductive Axis. In: De Groot LJ, Chrousos G, Dungan K, Feingold KR, Grossman A, Hershman JM, et al., editors. Endotext [Internet]. South Dartmouth (MA): MDText.com, Inc.; 2000 [cited 2016 Nov 25]. Available from: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK278998/

2. Wu FCW, Tajar A, Pye SR, Silman AJ, Finn JD, O’Neill TW, et al. Hypothalamic-Pituitary-Testicular Axis Disruptions in Older Men Are Differentially Linked to Age and Modifiable Risk Factors: The European Male Aging Study. J Clin Endocrinol Metab. 2008 Jul 1;93(7):2737–45.

3.  TAN RS, PHILIP PS. Perceptions of and Risk Factors for Andropause. Arch Androl. 1999 Jan 1;43(2):97–103.

4.  Chmiel A, Mizia-Stec K, Wierzbicka-Chmiel J, Rychlik S, Muras A, Mizia M, et 
al. Low testosterone and sexual symptoms in men with acute coronary syndrome can be used to predict major adverse cardiovascular events during long-term follow-up. Andrology. 2015 Nov;3(6):1113–8.

5. Jackson G, Boon N, Eardley I, Kirby M, Dean J, Hackett G, et al. Erectile dysfunction and coronary artery disease prediction: evidence-based guidance and consensus. Int J Clin Pract. 2010 Jun 1;64(7):848–57.

6. Morales A, Heaton JPW, Carson CC. ANDROPAUSE: A MISNOMER FOR A TRUE CLINICAL ENTITY. J Urol. 2000 Mar 1;163(3):705–12.

1 Comentário

  1. Anônimo disse:

    Muito bom o post! Textos sobre a menopausa sempre lemos e tem grande divulgação. Mas pouco se fala sobre a andropausa. Sempre buscar a informação é o lema da vida saudável. Bjs M

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