“Gordura no fígado” (Esteatose Hepática) – como evitar?

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O acúmulo de gordura no fígado, chamado “esteatose hepática”, é uma condição relacionada ao ganho de peso, resistência à insulina e ao Diabetes Mellitus tipo 2.  Esta condição, apesar de fazer parte de um quadro metabólico mais amplo, pode gerar consequências importantes para a saúde, como por exemplo a Cirrose Hepática. 


Por isso, convidei a Nutricionista Caroline Maretto para dar dicas alimentares voltadas para a prevenção e tratamento da esteatose hepática!




A Esteatose Hepática (também chamada de “Fígado Gorduroso”) ocorre (de forma simplificada) quando o fígado é sobrecarregado de macronutrientes (carboidratos, gorduras e proteínas) e começa a não conseguir metabolizar toda essa carga, levando ao acúmulo de gordura em suas células (veja figura abaixo).  






Com esse acúmulo, começa a haver uma inflamação no fígado (hepatite gordurosa) que, se não cuidado, pode evoluir e se transformar em cirrose hepática.





A cirrose hepática é a perda progressiva da capacidade de funcionamento do fígado, com redução das suas funções principais, como por exemplo:

  • O metabolismo de várias substâncias, 
  • A preparação dos macronutrientes para o uso pelo organismo,
  • A regulação das taxas de glicose (açúcar) no sangue (evitando a hipoglicemia);
  • A produção de albumina, que é uma das proteínas mais importantes do sangue;
  • A produção do colesterol, que tem várias funções no corpo inclusive a formação de hormônios esteróides;
  • A produção de fatores de coagulação, entre outras muitas funções.  

Por ser um órgão tão importante, seu adoecimento leva a um prejuízo enorme no equilíbro do corpo. Hoje, considera-se a esteatose hepática como fator de risco independente para doenças do coração (doenças cardiovasculares) e para o desenvolvimento do Diabetes tipo 2.


O tema é tão pertinente que no último Congresso Brasileiro de Endocrinologia, uma manhã inteira foi dedicada ao Simpósio “Fígado e Doenças Endócrinas”, que uniu a SBEM com a SBH (Sociedade Brasileira de Hepatologia).

Muitas pesquisas vem sendo feitas nesta área, porém ainda não existem medicamentos 100% eficazes para a reversão da esteatose e da inflamação do fígado. Desta forma, a SBEM e a SBH recomendam que as pessoas busquem a PREVENÇÃO e o tratamento com medidas alimentares e de estilo de vida (dieta e exercício!).


Por isso, convidei a Nutricionista Caroline Maretto (CRN 3 – 46244) para responder a algumas perguntas sobre a esteatose hepática!


Vamos a entrevista:


1) Olá Caroline! Obrigada por participar aqui do blog!
Como explicar a esteatose hepática do ponto de vista da Nutrição?


Nutri Carol MarettoA esteatose hepática é o acúmulo de gordura (triglicerídeos vindos da glicose e frutose) no fígado e já atinge 30% de toda a população.  Ela está relacionada com o consumo excessivo de álcool, medicamentos, hepatites virais, obesidade, diabetes, dislipidemias e algumas cirurgias para obesidade.


2) A Esteatose Hepática pode ser revertida?


Nutri Carol MarettoSim, a esteatose hepática pode ser revertida com o tratamento adequado. 


Primeiramente deve haver uma avaliação clínica para descobrir a causa da esteatose, já que ela pode estar relacionada com várias situações clinicas, como dito anteriormente. 


A partir disso, um acompanhamento multiprofissional com o uso de medicamentos quando necessário, prática de atividade física e ajustes na alimentação através do controle da ingestão dos carboidratos (pães, massas, cereais, biscoitos, frutas, sucos, bebidas alcoólicas, etc) são essenciais para o tratamento da doença.


3) A Esteatose só acontece quando engordamos? Pessoas magras podem desenvolver esteatose?

Nutri Carol MarettoSim, a esteatose pode surgir mesmo em pessoas magras, principalmente naquelas que não possuem hábitos de vida saudáveis e/ou têm diagnóstico de diabetes e dislipidemias. 


Além disso, perder muito peso em pouco tempo, especialmente em pessoas que realizaram cirurgia de redução do estômago, também pode causar gordura no fígado devido às alterações que ocorrem no metabolismo.

4) Crianças também podem desenvolver gordura no fígado?


Nutri Carol MarettoSim, em crianças nos primeiros anos de vida, a esteatose é causada por algumas doenças metabólicas. Já em crianças maiores e adolescentes, fatores como o sobrepeso, obesidade, diabetes ou risco de desenvolver diabetes podem causar alterações no metabolismo que favorecem o acúmulo de gordura no fígado. 

 
Portanto, o tratamento na infância é essencial para prevenir futuros danos na fase adulta, além da conscientização da criança e de seus familiares para a aquisição de hábitos de vida saudáveis.



5) Qual é o impacto da doença não controlada?

Nutri Carol MarettoO fígado desempenha diversas funções como o armazenamento e liberação da glicose, metabolismo de proteínas e de lipídeos, emulsificação da gordura durante a digestão, entre outras. 
 
Quanto maior e mais prolongado o acúmulo de gordura, maiores são os riscos de uma lesão no fígado, podendo evoluir para uma cirrose e em casos mais graves, faz-se necessário o transplante do fígado.
 
Hábitos saudáveis devem ser criados para serem levados por toda a vida, sem restrições e exageros. Um tratamento e adesão adequados trarão benefícios e uma melhor qualidade de vida para quem precisa.
6) E para finalizar, você tem alguma dica ou receita para os leitores do blog?
 
 
Nutri Carol Maretto: Vou compartilhar algumas receitas:
 

Receita de pão sem farinha de trigo

Ingredientes:
1 ovo
2 colheres de sopa de farinha de linhaça ou de amêndoas ou de aveia
1 pitada de sal
1 colher de chá de fermento em pó
1 colher de sopa de queijo ralado
 
Modo de preparo:
Em uma caneca junte todos os ingredientes e misture. Pode ser assado em forno convencional por 10-15 minutos ou forno micro-ondas por uns 2 minutos.
Se for utilizar micro-ondas, após pronto, corte o pão e grelhe com um pouco de manteiga na frigideira para ficar crocante.
Esse pãozinho pode ser congelado para ser consumido em outra ocasião.
 

Receita de um bolinho de caneca do bem

Ingredientes:
1 ovo
1 banana amassada
2 colheres de sopa de farinha de linhaça ou de amêndoas ou de aveia ou de coco
1 colher de sobremesa de canela em pó
1 colher de chá de fermento em pó
1 colher de sopa de pasta de oleaginosas (amendoim, castanha, macadâmia) – OPCIONAL
 
Modo de preparo:
Em uma caneca, junte e misture todos os ingredientes. Leve ao forno micro-ondas por uns 2-3 minutos e está pronto.
 
7) Teria alguma forma de adaptar estas receitas para os veganos?
 
Quanto a receita em substituição ao ovo sempre recomendo:
1 colher de sopa de semente de chia hidratada em 3 colheres de sopa de água.
Muito obrigada Caroline pela sua participação aqui no blog!
 
Espero que tenham gostado da entrevista!!!!
 
Um forte abraço e uma ótima semana a todos!!!
 
 

1 Comentário

  1. Anônimo disse:

    Adorei as receitas e os esclarecimentos sobre os cuidados com o fígado. Prevenção é tudo!Bjs M

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