Infecções sexualmente transmissíveis: entrevista com a Dra. Valéria Correia, Infectologista.

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Semana passada foi dia dos namorados e o post foi sobre sexualidade.  Mas não dá para falar em vida sexual saudável sem falar nas chamadas “DSTs” (Doenças Sexualmente Transmissíveis), ou como a Dra. Valéria me ensinou: “ISTs” (Infecções Sexualmente Transmissíveis).

Este tema jamais pode deixar de ser abordado numa consulta médica (ou mesmo numa ação de outros profissionais de saúde), em especial nos pacientes que nos procuram buscando a melhora da sua vida sexual.


Muita coisa mudou no panorama das ISTs nos últimos tempos e eu conversei com a Dra. Valéria Correia de Almeida (CRM-SP 84202), médica infectologista da rede pública de Campinas (SP) e Professora da Faculdade de Medicina São Leopoldo Mandic sobre o tema.



1) As pessoas falam muito na prevenção do HIV, mas é só com ele que devemos nos preocupar?

Dra. Valéria: Não Dra Juliana, existem muitas infecções que podem ser transmitidas pela relação sexual. Hoje em dia chamamos de infecções sexualmente transmissíveis (IST), pois em uma grande parte dessas infecções as pessoas não apresentam sintomas, portanto não se sentem doentes,  e são portadoras de  um vírus ou bactéria que pode ser transmitidos através da relação sexual, e que podem futuramente causar alguma doença.
2) E quais são essas infecções e o que elas podem causar?

Dra. ValériaVou citar alguns exemplos: A infecção pelo vírus do papiloma humano (HPV), na qual a pessoa é assintomática na maior parte das vezes,e no entanto esse vírus pode causar câncer de colo de útero em mulheres, câncer de pênis em homens, e  também está associado com o câncer em orofaringe e laringe, pela prática do sexo oral. 

A sífilis é outra IST que tem ressurgido em grande número nos últimos anos, e que também pode ser transmitida através do sexo oral. Assim como outras IST, a pessoa pode ser assintomática, e transmitir para outras pessoas sem saber. Ainda que a sífilis seja facilmente tratada, o maior risco está entre as gestantes, que podem transmitir a doença para o seu bebê, causando malformações no recém-nascido, como deformidades ósseas, microcefalia e até mesmo óbito fetal ou aborto. 

A Clamídia, outra IST na qual a pessoa raramente apresenta sintomas, em especial as mulheres, pode ser a causa de infertilidade feminina. E claro, não podemos esquecer do HIV, o vírus da imunodeficiência humana, que causa a aids. 

Recentemente, o Brasil tem vivido a introdução do vírus zika, que mostrou-se também ser transmitido sexualmente. além disso temos a hepatite B, a gonorréia, entre outras.

3) E para evitar essas infecções, o que pode ser feito?

Dra. Valéria: Sem dúvida, usar preservativos em todas relações sexuais. Até mesmo nas relações sexuais orais.

4) Numa relação estável, quando é liberada a interrupção do preservativo?
Dra. Valéria: Quando ambos tiverem realizados seus exames para IST e forem negativos, passado o tempo de janela imunológica da  ( período  em que a pessoa já é portadora da infecção, mas os exames ainda têm resultados negativos). E quando houver certeza que nenhuma das pessoas tenha outros parceiros ou parceiras.
5) E para finalizar, alguma dica ou recado para os leitores do blog?
Dra. Valéria: Sim Juliana. Saúde sexual é muito importante para uma vida saudável. Para quem nunca fez exames para IST, e tenha tido pelo menos uma relação sexual desprotegida ( sem preservativo), marque uma consulta com seu médico e faça seus exames. 

Viver com saúde é ótimo ,  e com sexo saudável melhor ainda! 


Dra. Valéria, muito obrigada pela sua participação e pelo carinho!

Espero que tenham gostado da entrevista!
Um forte abraço a todos e uma ótima semana!

1 Comentário

  1. Anônimo disse:

    Muito boa a entrevista! Faz esclarecimentos e alerta para que se tenha uma vida sexual saudável e sem correr riscos. Todos precisam se cuidar. Bjs M

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