Restrição alimentar em viagens – Argentina

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Na última semana estive em Buenos Aires para o congresso da SLEP. Fiquei uma semana fora de casa, dependendo exclusivamente dos alimentos “da rua”.

Independente da viagem ser à trabalho ou de férias, uma coisa parece ser unanimidade: a gente sempre sai da rotina alimentar e não é incomum pessoas se sentirem mal durante a viagem, terem má digestão, constipação ou mesmo diarréia, isso quando não voltam com alguns quilinhos a mais.

No caso de quem tem alguma restrição alimentar (como diabéticos, celíacos ou vegetarianos e veganos), a viagem que deveria ser um momento de descanso, pode se tornar uma grande dor de cabeça.



Quem me acompanha por aqui sabe que sou intolerante ao glúten (há tempos) e estou passando por uma transição vegana. E foi a primeira viagem que fiz desde que comecei essa transição (na última viagem eu ainda era só vegetariana). Posso dizer que consegui me alimentar adequadamente na maior parte do tempo. Mas precisei de alguns truques que aprendi e conto agora pra vocês…

(No meu caso, o desafio era uma refeição vegana e sem glúten. Mas acredito que o mesmo vale para quem tem outros tipos de alergia alimentar ou restrições de saúde, como diabéticos, hipertensos, etc).

Como eu era “marinheira de primeira viagem”, não tinha pensado muito no assunto até que fui perguntada pela organização do Summer School se eu tinha alguma restrição alimentar. Sorte a minha!

Isso me despertou para a questão e, depois disso, comecei a fazer algumas pesquisas. Compartilho com vocês algumas dicas que encontrei e que descobri com essa experiência.

1. No caso de viagens curtas ou para lugares próximos (como um fim de semana na praia), não há problema: leve sua própria comida! 

2. Se for viajar de avião, avise à companhia aérea da sua restrição. Eu não sabia disso e acabei ficando sem almoço no avião (eu fui de Gol e a opção era um sanduíche tradicional), mas o comissário me informou que se avisado com antecedência, é embarcado um lanche especial para aquele passageiro.

3. Minha sorte é que eu sempre levo comigo “barrinhas”, frutas secas e MIX de castanhas. Existem restrições para embarcar com alimentos “in natura”, mas a versão industrializada dificilmente traz problemas. Isso me ajudou no avião e me salvou em vários momentos durante a viagem, pois é mais fácil conseguir que a refeição principal seja vegetariana e sem glúten do que os lanches e “Coffee breaks”.

     – Também não é difícil encontrar barrinhas sem glúten nos países da América Latina (eles tem umas barrinhas de quinoa e chia que são demais! Já falei sobre elas no post sobre minha viagem ao Peru). Ou seja, se não levou o suficiente, procure, pois sempre encontramos essas opções saudáveis de lanchinhos por aí!

4. Pesquise com antecedência restaurantes próximos e informe  ao hotel da sua restrição. Sabendo com antecedência, fica mais fácil para eles se planejarem. Eu não tive problemas no meu hotel, eles ofereciam bolacha e pão sem glúten no café da manhã, além de uma grande variedade de frutas.
     – Quem for ficar em Hostel (albergue) ou alugar apartamento (airbnb) pode comprar seu próprio café da manhã e, pelo menos em Buenos Aires, haviam opções sem glúten na maioria dos mercados.  Em cidades pequenas talvez seja mais difícil (não foi muito fácil encontrar mercados quando fomos pra Cusco e Aguas Calientes, mas em ultimo caso, sempre se acha uma fruta para comprar).

5. Na Argentina, “vegetariano” significa “vegetariano estrito” (ou vegano), eles preparam a refeição sem leite, queijo ou ovos.  No entanto, nos restaurantes, a maioria das opções vegetarianas incluem massa (não são livres de glúten) e novamente aconselho avisar com antecedência ou pesquisar restaurantes na internet. 
     – Hoje em dia existem vários aplicativos de celular que indicam restaurantes (por exemplo, o “Happy Cow”, “Nearest Vegan Restarants”, “Vegan Food Restaurant Locator”, “Go Vegan” entre outros) e opções de pratos nos restaurantes próximos. Veja se tem algum que cubra o lugar pra onde você vai viajar.

Aplicativos (android) para encontrar restaurantes veganos por aí…


6. Encontrei um livro online que dá várias dicas sobre viagens para veganos! Mas é em inglês. Quem quiser, veja este link aqui.

O quesito “sobremesa” é um caso à parte: geralmente, quando se pede uma opção sem glúten e vegetariana, a maioria dos locais oferece frutas de sobremesa. Nos primeiros dias, isso é ok. Mas quando foi chegando no final da viagem, eu já estava triste de ver todo mundo se deliciando e eu sempre na fruta…

Foi interessante pois quando manifestei minha tristeza, rolou um debate na mesa sobre essa questão: uma parte das pessoas argumentou dizendo que se o restaurante não é especializado, ele não tem “obrigação” de ter opções variadas no cardápio para quem tem restrição alimentar.

Eu até concordo, em parte… Mas, no entanto, argumentei o seguinte: se a gente sempre se calar, se optar por não ir aos lugares, ou se aceitar essas soluções “improvisadas”, a gente nunca vai gerar uma demanda que promova mudanças.

Se hoje eu consegui ficar 1 semana fora sem ter tido problemas, foi porque muitas pessoas antes de mim pediram, demandaram ou mesmo reclamaram. As coisas só mudam quando a gente faz alguma coisa por essa mudança. E isso vale pra tudo: até para uma sobremesa mais “interessante”! 

Porque todos nós merecemos ser felizes! Restrição alimentar não precisa significar restrição da cota de alegria da sua refeição ou da sua vida como um todo!

Não sou a favor de ninguém virar eco-chato ou de sair por aí brigando com os outros.  Ao contrário! Por isso, meu grande conselho é se planejar com atecedência, avisar, pedir, perguntar. Perguntar não ofende, não é?

Com isso, mesmo que os estabelecimentos não tenham uma solução imediata, isso gerará um “desconforto” que possivelmente será a chave para uma mudança mais global! Um passo de cada vez e vamos cada vez mais longe!

Por outro lado, por mais que a gente tente, às vezes não vai dar pra ter o melhor de tudo ou a refeição mais perfeita. Portanto, faça o melhor que você puder e seja feliz com o que você conseguir!  Se não der para ser 100% como você gostaria, também não vale sofrer e não aproveitar a viagem. Ser feliz é o verdadeiro objetivo!

Um forte abraço a todos e uma ótima semana!

1 Comentário

  1. Anônimo disse:

    Concordo em relação a reivindicar suas restrições alimentares em viagens e lugares aonde vamos mas sempre sem stress. Viver bem é o melhor remédio! Bjs M

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