Vivência em Diabetes, parte II…

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Neste post vou contar como foi a metade final da minha vivência de uma semana com a bomba de insulina…
(Para saber mais detalhes sobre o projeto, consulte a primeira parte do post!)

O dia em que eu falhei…

Como vocês viram na parte 1, os primeiros dias com a bomba foram super empolgados, fazendo todas as medidas de glicose, contando todos os mínimos carboidratos… Porém, o que eu temia, acabou acontecendo… Depois que a “empolgação” inicial passa, a rotina pesa.  

E isso acontece com tudo na nossa vida: um novo trabalho, um novo lugar para morar, um novo relacionamento e não seria diferente para um novo “diagnóstico” e, consequentemente, um novo tratamento, seja ele injetável ou em comprimidos, seja por Diabetes ou qualquer outra doença crônica.

Este foi um dos motivos pelos quais eu pedi para fazer uma semana de vivência (e não 3 dias, como era com os residentes).

Nos primeiros dias eu jurava que iria conseguir completar a semana com tudo certinho… Porém, na quinta-feira, quarto dia de vivência, a rotina começou a pesar.  Foi um dia muito cansativo de trabalho, cheguei em casa tarde, tinha que trocar o cateter (o que me deu muito trabalho – ver abaixo), acordar muito cedo no outro dia… 

Resumo: acabei não fazendo as pontas de dedo da noite.  Calculei a dose de insulina apenas pelos carboidratos da refeição e fui pra cama sem medir o pós prandial.  No dia seguinte, sexta-feira, trabalhei o dia todo e viajei para o RJ à noite… E essa mudança da rotina me fez ter horários diferentes de refeição e com isso, também fiz menos testes de glicemia.  Em nenhum dos momentos eu deixei de fazer a aplicação da insulina, mas acabei não fazendo todos os testes que deveria…

Nos primeiros dias, vários testes… Já nos últimos… :/

E com isso, vem uma reflexão… Por um lado, é muito compreensível que nossos pacientes tenham momentos de “falha”, de não fazer o controle do jeito que a gente espera… Pois somos humanos, temos uma rotina flexível e muitas vezes não é possível seguir à risca o que manda o figurino (ou o que manda a prescrição)… E devemos ter isso em mente quando lidamos com pessoas reais, que nos procuram buscando ajuda para tentar levar o seu tratamento da melhor forma possível… É nosso dever, enquanto profissionais de saúde, entender a humanidade do outro e ser um impulsionador, um motivador… Não um fiscalizador ou fazedor de cobranças…

Por outro lado, fiquei pensando: o que será que faz a gente permitir que a rotina nos atropele de tal forma que deixamos de lado nossas metas, sonhos, ou mesmo a nossa saúde, aquilo que nos faz bem?  Tudo o que escolhemos fazer (seja por desejo pessoal, seja por necessidade de saúde), deve ter para nós um objetivo muito claro, uma motivação muito bem delimitada.  Quando entendemos o motivo, as falhas diminuem.  E no meu caso, acho que o que pode ter prejudicado a minha motivação de continuar firme foi fato de no fundo, no fundo, eu saber que aquilo tudo era só uma simulação, ou seja, num momento onde eu precisaria dar um gás maior (um dia mais cansativo), a força interior falhou… A motivação não era tão forte.

Para mim, isso ficou como uma das maiores lições desta vivência.  Empatia e motivação: no fim, é isso que move o mundo!

A troca do cateter

Esse foi um momento em que eu tive um certo trabalho.  Apesar da Adriana ter me ensinado a fazer, são muitos detalhes para pensar na hora: escolher um local para colocar a cânula que atrapalhe o menos possível as roupas que você costuma usar, virar a ponta para o lado certo, acertar o uso do aplicador… Parece simples mas dá um certo trabalho e imagino que nas primeiras vezes, para os pacientes, pode gerar muitas dúvidas.
Quem tiver curiosidade, veja mais no vídeo abaixo!


Viajando com a bomba

Fui passar o final de semana na cidade olímpica, mas as provas para mim foram outras… 


Em primeiro lugar, estava apreensiva com a passagem pelo aeroporto com todos os meus apetrechos (bomba de insulina, glicosimetro, lancetador…). Mas a equipe do aeroporto de Viracopos foi super solícita e simpática! Não tive problema algum!  Na passagem pela esteira, eu avisei do lancetador e a moça foi super solícita.  Não precisei fazer revista, a bomba não apitou, enfim… Vida normal!
A segunda prova foi passar o dia dos pais resistindo à todas as guloseimas! 

😊
Reparem no detalhe da camiseta: mesmo com bomba, vida normal!

Pra ser bem sincera com vocês, eu não resisti não! Comemorei com meu pai, com direito a comer tudo o que ele queria!  A única coisa que eu percebi é que, na contagem de carboidratos, o valor dos carboidratos consumidos quase dobrou!  (Eita almoço bom!)  Mas o que eu fiz foi apenas aumentar a quantidade de insulina injetada (e a bomba faz este cálculo pra você), e tudo bem! 

Os avanços tecnológicos no tratamento do Diabetes estão aí justamente pra ajudar nisso! Quem usa insulina não precisa abrir mão de tudo o tempo todo! É só ajustar a dose e ser feliz!

Calorias e carboidratos de um dia comum versus um dia especial…


Mas, por outro lado, ter que contar os carboidratos neste dia me fez ter uma grande reflexão. É claro que a gente sabe que essas “ocasiões especiais” são altamente calóricas, mas no momento em que você contabiliza isso em números, dá pra ver o tamanho da sobrecarga que apenas um dia pode te dar. Ou seja, diabético ou não, se essas estripulias se tornam rotina, pode ter certeza que o corpo vai sentir (e os pneuzinhos mais ainda…).
Não estou aqui para pregar a paranóia de ficar o tempo todo se controlando, até porque, isso também não é nada saudável… Mas temos que ter muito cuidado com esses “dias do lixo” pois podem botar a perder tudo pelo qual batalhamos: um bom controle glicêmico, aqueles quilos a menos, uma pressão mais estável…
Em resumo: equilíbrio é tudo!

Devolvendo a bomba e considerações finais…

Hoje foi dia de devolver a bomba fechar o balanço desses 7 dias de vivência.  Posso dizer que foi uma experiência fantástica!
Realmente, consegui aprender a manejar esta tecnologia e muito devo à ajuda da Adriana. Equipe multiprofissional é tudo! Obrigada!

Com a Adriana, que foi quem me ensinou tudo!


Em relação à empatia, acho que consegui pelo menos imaginar o que passa um paciente diabético diante de tantas “tarefas” extras no seu dia, em comparação com uma pessoa não diabética… Sim, o diabético pode ter uma vida sem restrições, desde que tome certos cuidados.  Mas esses cuidados muitas vezes tomam tempo (e dinheiro… e energia…) e isso deve ser levado em consideração por todos nós…

Felizmente, tive uma surpresa em relação à reação das pessoas.  Pelo menos no meu caso, quando me passei por diabética nos lugares, recebi solidariedade. Um ponto super positivo!

E o ponto mais positivo foi poder levar o conhecimento sobre esta tecnologia para muitas pessoas!  Apesar de ainda ser bastante cara, é um sinal de que um novo futuro se aproxima. Tecnologia à serviço da saúde é tudo de bom!

Espero que tenham gostado do meu relato!  Estou aberta para responder perguntas!

Um forte abraço a todos e uma ótima semana!

1 Comentário

  1. Anônimo disse:

    Muito boa e detalhada a vivência em diabetes. Também não sou diabética, mas me coloquei no lugar de quem é, vendo como é difícil fazer um controle permanente da glicose. Muito bom o post e todos os esclarecimentos realistas! Bjs M

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