A gente não quer só comida!
Dra. Juliana Gabriel Jornalzinho anti-fomo 0
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Esses dias acordei pensando: “Queria que meu dia hoje tivesse 4 horas a mais” Mas logo em seguida, refleti: “Ou será que na verdade o que eu precisaria era ter menos coisas para fazer?” Isso me gerou bastante reflexão e decidi compartilhar minhas inquietações com vocês. Mas essa inquietação já vem de um tempo. No mês passado, meu irmão veio me visitar em casa depois de 6 anos e ter ele comigo durante todo o final de semana foi maravilhoso. No entanto, receber visitas sempre ocupa tempo e, na semana seguinte à partida dele, a quantidade de trabalho acumulado (doméstico e profissional) foi gigante. Estar com a família é prioridade para mim; porém, incluir “prioridades”* nas nossas vidas demanda TEMPO. E, para a conta fechar, muitas vezes precisamos reduzir esse recurso – tempo – em outras áreas. E para poder passar mais tempo com meu irmão, tive que reduzir horas de trabalho e lidar com o impacto disso depois. (*entre aspas porque talvez não deveria existir plural nessa palavra, não é mesmo?) Isso já aconteceu com você? Por um lado, acho que muitos de nós já vivemos o drama de abrir mão de algo essencial (tempo com a família, atividade física, fazer uma consulta ou um exame) porque o trabalho tomou conta, para citar alguns exemplos… Mas por outro, investir no que é essencial para nós é muito importante. Porém, ao gerenciar nossos recursos (tempo e energia), temos que lidar com as consequências que isso causa nas áreas em que eles foram reduzidos. E quando essa área é o trabalho, essa consequência pode ser bastante desafiadora. Mas também não é impactante se a área em “déficit” é a saúde? E a saúde mental? Meu exemplo acima, receber a visita do meu irmão, demonstra isso: estar com a família é ESSENCIAL para mim. Mas o custo disso no trabalho profissional foi muito alto. Consegui lidar por ser algo pontual, mas… e se fosse algo mais recorrente (como por exemplo, começar academia, fazer um curso, uma aula de dança ou música, etc), será que eu conseguiria sustentar? E esse tema, coincidência ou não, apareceu em vários atendimentos ao longo daquela semana. Parece que não só eu e meus pacientes, mas todos nós estamos vivendo o eterno dilema do “cobertor curto” – se cobrimos de um lado, descobrimos de outro. E lidar com isso pode ser bastante difícil, a ponto de muitas vezes nos fazer desistir do que é essencial. Não tenho respostas… Meu objetivo com esse texto não é trazer uma lista de “7 dicas para”. O que eu queria mesmo era compartilhar com vocês essa angústia e ouvir de vocês se isso ressoa do outro lado também (lembre-se que você pode comentar esse texto lá na nossa comunidade Tribu). Mas até que tem dicas bastante interessantes por aí (como reduzir o tempo de uso das telas, otimizar processos de trabalho, delegar tarefas, pedir ajuda…). No livro essencialismo, que toda hora volto a falar por aqui, ele nos ensina não só a arte de identificar o que é essencial para nós como também a dizer não para aquilo que não é essencial. E lidar com as consequências disso. Inclusive tem um capítulo inteirinho sobre o “dizer não”…
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E talvez o desafio aqui não seja nem “escolher”. Talvez o desafio seja aprender a ACEITAR que para darmos prioridade para o que é essencial, vamos necessariamente produzir menos. E numa sociedade onde só a “alta performance” importa, isso pode ser bem difícil. Mas ser escravo da alta performance e da expectativa alheia é extremamente adoecedor. A ponto de ficarmos sonhando com um dia de 30 horas! Então, meu convite para vocês (e para mim mesma) esse mês é sobre a seguinte reflexão: será que precisamos mesmo ser 100% o tempo todo? Será que uma grande catástrofe vai acontecer se a gente não for O MELHOR no nosso trabalho? Será que o preço que pagamos por isso vale a pena ser pago? Ou ainda melhor: o que é essencial pra mim não vale esse esforço? Eu acho que vale! E para finalizar, alguns recados Por fim, queria comentar com vocês que estou adorando esse espaço, essa “coluna mensal” onde consigo colocar minhas ideias sem o limite de caracteres das redes sociais. Mas as vezes sinto falta de receber o feedback de vocês! Então, mais uma vez, queria reforçar o convite para que vocês façam parte da nossa comunidade. É gratuita e lá tem muita coisa linda acontecendo para além do texto do jornalzinho! |
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Em segundo lugar, estamos entrando no mês de Outubro e como todo mundo já sabe, é o mês oficial em que se fala sobre prevenção do câncer de mama e saúde da mulher. Já tivemos muitos conteúdos sobre esse tema, que você pode ver abaixo, na próxima seção do nosso jornalzinho. Mas como você já deve saber (se costuma abrir nossos emails), todo fim de mês eu e a linda equipe da Tribu fazemos um encontro ao vivo na comunidade para abordar temas relevantes. E nesse mês, queríamos fazer um tema voltado para o Outubro Rosa… mas como muita coisa já foi abordada antes, vou deixar uma enquete lá na comunidade para ouvir de vocês o que vocês querem que a gente aborde! (aliás, se você perdeu nossos encontros anteriores, não se preocupem: a gravação de todos eles está disponível lá na comunidade!)
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Espero que gostem das novidades e que essa reflexão faça sentido aí do outro lado. Um grande abraço, com muito carinho! Dra. Ju 🙂 |

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